Comandante da PM quer mais 1.000 policiais nas ruas do Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO ¿ O novo comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o coronel Mário Sérgio Duarte, anunciou nesta quarta-feira uma ¿modernização¿ na corporação, que prevê mudanças estruturais e conceituais. Ele disse que pretende ampliar em pelo menos 1.000 homens o número de policiais nas ruas, reduzindo o contingente em funções burocráticas nos quartéis.

Reuters |

Segundo o coronel, entre seus projetos estão a troca de 70% dos comandos dos batalhões do Estado, a aceleração das investigações de denúncias contra policiais militares, o estabelecimento de metas de atuação para os batalhões e a ampliação do treinamento de policiais.

Tenho certeza que não estou entrando com o pé na porta. Modernizar a corporação não é meter o pé na porta, mas a porta tem que ser aberta, declarou o novo comandante da PM, que foi empossado nesta quarta-feira após substituir o coronel Gilson Pitta.

Ampliar o efetivo de policiais nas ruas é considerado por Duarte uma das prioridades de curto prazo da nova gestão, repetindo o discurso do secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame. É uma questão emergencial devolver à polícia a função de polícia visível e ostensiva. Temos que prevenir e evitar. Essa é uma função constitucional, destacou o coronel.

Carlos Magno

Gilson Pitta (à esq.) passa o comando da PM do Rio para Mário Sérgio Duarte (à dir.)

Novos projetos

Os 1.000 homens que serão disponibilizados com a redução da burocracia serão realocados para áreas consideradas mais perigosas do Estado do Rio e destacados para as unidades de policiamento pacificador instaladas em favelas da capital fluminense.

Essa é uma política consolidada e vamos fazer todo o esforço para ampliá-la, acrescentou o coronel. De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança, as favelas já foram ranqueadas para orientar a atuação da polícia. Em seu discurso, Duarte afirmou ainda que vai buscar mais integração com a Polícia Civil, motivo de uma antiga discussão no Estado.

Uma das medidas mais polêmicas anunciadas pelo novo comandante é a introdução da meritocracia para promoções na PM fluminense. Segundo ele, tempo de serviço não será mais garantia de ascensão na corporação.

Temos que trabalhar com gestão, qualidade e resultados. Não podemos ficar engessados na idade, disse Duarte. Gestão é competência e resultado. Antiguidade não é posto.

Outro grande desafio do coronel será incluir a PM na era digital. Até hoje não há troca de informações digitalizadas entre os batalhões do Rio. Só temos arquivos de papel, revelou Duarte. A posse do novo comandante na sede do quartel general da PM teve a presença do governador Sérgio Cabral e da cúpula da polícia do Rio.

Tenho certeza que esse jovem coronel saberá dar à instituição a reciclagem necessária sem perder a tradição. Ambas não são incompatíveis, declarou Cabral em discurso.

A nova mudança no comando da PM do Rio foi criticada pelo ex-comandante da corporação Ubiratan Ângelo, que foi o primeiro chefe da corporação na gestão Sérgio Cabral.

A minha percepção é que não há uma política de segurança. Em três anos já temos dois chefes de polícia e três comandantes de PM. Alguma coisa não está se adequando. A polícia atua de acordo com a estratégia da Secretaria de Segurança, declarou Ângelo.

Assista ao vídeo sobre a mudança no comando da PM:

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