Após uma terça-feira caótica, o paulistano teve um motivo a mais para comemorar a volta para a casa: a cidade estava livre do congestionamento. Segundo índice registrado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), por volta das 18h30, São Paulo tinha 9 km de lentidão. Às 20h, eram apenas 2 km.

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    Por meio de assessoria de imprensa, a CET informou que jamais havia registrado um índice tão baixo como estes em dia de semana - excetos em feriados e nas férias. Para o órgão, os "motoristas tiveram medo de sair de casa com as imagens que viram pela imprensa".

    Especialistas ouvidos pela reportagem do iG também não lembram de ter visto uma São Paulo tão livre de trânsito como no fim da tarde de terça-feira. Para o o arquiteto e urbanista Cândido Malta Campos Filho, professor da USP, a explicação é uma só: "com as marginais alagadas, os carros não conseguiram chegar ao centro expandido da cidade. Muitos foram obrigados a faltar de seus trabalhos, tiveram de deixar o carro em casa", afirmou. "A cidade não registrava há anos uma enchente como vimos ontem", acrescentou.

    O professor destaca, porém, que não há razões para comemorar. "Todos os fatores que contribuem para enchentes estão se agravando. Além de chuvas mais intensas, diminuiu a permeabilização do solo na cidade. A situação vai piorar", destacou.

    Os especialistas criticam a construção das novas pistas na Marginal Tietê. Além de considerarem que a obra é uma medida de incentivo ao transporte individual e que não resolverá o problema do trânsito na cidade, eles afirmam que a medida aumenta ainda mais o risco de enchentes. Estamos ocupando o espaço de extravasamento do rio. Não é que o rio alaga, nós é que estamos no espaço dele, afirma o arquiteto urbanista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Renato Pellegrino, em entrevista ao iG.

    Prejuízo para o comércio

    A falta de pessoas na rua, durante a tarde, foi sentida pelo comércio e indústria. Nem todos conseguiram fechar o número de quanto deixaram de ganhar na terça-feira, mas a Associação Comercial de São Paulo, por exemplo, registrou uma queda de 12,6% na procura pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

    A União dos Lojistas da 25 de Março, que neste período do ano fica lotada por conta das compras de Natal, teve uma queda de 20% nas vendas. "Por causa da chuva, 40% dos clientes não vieram para a 25 de Março. Ontem era dia de sacoleiros e como os ônibus não conseguiam entrar na cidade, muitos consumidores voltaram para casa", afirmou a assessora da Univinco, Cláudia Urias.

    Um dia de caos

    Na terça-feira, São Paulo amanheceu em estado de atenção por causa das fortes chuvas. Com as marginais alagadas devido ao transbordamento dos rios Tietê e Pinheiros, a capital travou. ( veja imagens do caos )

    Além do Tietê e Pinheiros, transbordaram o Ribeirão dos Meninos, no Ipiranga, e o Córrego Três Pontes, no Itaim Paulista. Segundo o CGE, pelo menos 89 pontos de alagamentos foram registrados.

    De acordo com o Corpo de Bombeiros, 44 pessoas ficaram ilhadas e tiveram de ser socorridas. Quatro desabamentos foram registrados, sendo dois na zona sul e dois na zona leste. Seis pessoas morreram devido a deslizamentos na região da Grande São Paulo.

    Por volta das 15h30, a chuva deu uma trégua, a cidade saiu do estado de atenção, mas os prejuízos ainda eram somados.

    Luiz Guarnieri / Futura Press
    Marginais ficaram alagadas na terça-feira e travaram SP
      Marginais ficaram alagadas na terça-feira e travaram SP

    Recorde de chuva

    Segundo informações do Centro de Gerenciamento de Emergências 9cGE), São Paulo registrou na terça-feira o recorde de chuvas dos últimos dois anos. Até as 19h, o CGE calculou 75,8 mm de índice de pluviosidade - o que corresponde a 37,7% da média prevista para dezembro, que é de 201,0 mm. Desde o ínicio do mês, foram registrados 143,1 mm de índice de pluviosidade (71,2% da média esperada).

    O volume supera os maiores dados registrados nos últimos dois anos, que foram 60,8 mm em 29 de janeiro de 2008, e 62,2 mm em 19 de dezembro de 2007.

    Neste ano, o volume de chuvas mais intenso em São Paulo havia sido registrado no dia 8 de setembro, com média de 60,5 mm.

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