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Estudo feito pela Secretaria da Segurança Pública mostra uma correlação direta entre a redução da circulação das armas de fogo e a diminuição dos homicídios nas 99 cidades do Estado que registram mais de 20 casos por ano em 2001.

Os assassinatos caíram em 92 desses municípios do Estado e foi tentando descobrir o que essas cidades tinham em comum que o coordenador de análise e planejamento da secretaria, o pesquisador Túlio Kahn, descobriu a relação entre as armas e os homicídios, mas também verificou que elas tiveram aumento do efetivo da Polícia Militar e das apreensões de drogas, além da diminuição de sua população jovem.

O estudo feito por Kahn ajuda a secretaria a definir quais as políticas de segurança influem na redução desse tipo de crime. A meta do Estado é fazer o índice ficar abaixo dos 10 homicídios por 100 mil habitantes por ano, barreira acima da qual, segundo a organização Mundial da Saúde (OMS), os homicídios podem ser equiparados a uma epidemia. Atualmente, o Estado conta 10,5 casos por 100 mil habitantes - na capital paulista esse índice é de 14 por 100 mil.

Para alcançar essa meta, o secretário da Segurança Pública, Ronaldo Bretas Marzagão, defendeu a continuidade da ênfase dada pela polícia às apreensões de armas e drogas. Essa ênfase vai continuar, disse. Assim como vamos ampliar o uso da inteligência policial e manter a política de encarceramento. Não basta esclarecer o crime. É preciso prender o criminoso, disse. Marzagão aposta ainda nos programas de inclusão social, como o Virada Social, usados em áreas de risco, como o Parque São Rafael, zona leste de São Paulo, e o Jardim Eliza Maria, zona norte.

A análise da secretaria mostra que a queda dos homicídios é ampla no Estado. Ela atinge mais de 500 de seus 648 municípios. Entre os 99 que registravam os maiores números absolutos em 2001, as quedas foram desde os 10% registrados por Piracicaba até o índice de redução recorde de 91% em Porto Feliz - de 11 homicídios, registrou apenas 1 assassinato em 2007. Há ainda surpresas na lista, como o de Taboão da Serra, Grande São Paulo, que teve redução de 82,4%, transformando seus 125 casos anuais em 22.

Correlação não significa causa, mas é notável a queda dos homicídios onde houve redução das apreensões de armas feitas pela polícia sem que ocorresse diminuição das blitze da PM, afirmou Kahn. As informações são do "Jornal da Tarde".