Com medo, moradores de morro já haviam pedido ajuda à Defesa Civil, conta vizinho de área destruída

Com medo de possíveis deslizamentos, moradores do moro do Bumba, que veio abaixo por volta das 21h desta quarta-feira, em Niterói, acionaram pela manhã a Defesa Civil para pedir orientações sobre o que fazer no local.

Robson Abreu, iG Rio |


Arte iG

Um dia antes, do outro lado do morro, oito pessoas tiveram que ser retiradas do lugar por conta de desabamentos. Segundo Joelson Bispo de Santana, morador da região há 18 anos, conta que, no alto do morro, as pessoas estavam sem energia desde a véspera da tragédia.

De lá, os moradores ligavam para a Defesa Civil, que só chegou na área no final da tarde. Foi tarde: com o deslizamento, cerca de 30 pessoas foram soterradas pelo morro, das quais três, pelo menos, morreram.
Após o acidente, dezenas de moradores buscavam informações sobre parentes e vizinhos sobreviventes, mas eram impedidos de chegar dos trabalhos.

AE

Trabalhos de resgate avançam durante a madrugada no morro do Bumba

Já na madrugada, soldados do Bope, a tropa de elite da polícia do Rio, chegaram na área para ajudar a conter a multidão. Como o local é muito estreito, o temor é que a circulação de pessoas atrapalhasse o trabalho de três tratores que tentavam remover os escombros durante a madrugada.

A principal preocupação das autoridades é a retirada dos entulhos para evitar ferimento pessoas que estão embaixo dos escombros. Como a luz foi cortada para evitar explosões e incêndios, é difícil saber a extensão e a quantidade de terra que cobriu as casas. O Corpo de Bombeiros confirma, entretanto, que este foi o maior deslizamento desde o início das chuvas .

De acordo com os bombeiros, a queda do morro atingiu de 15 a 50 casas na localidade, conhecida como "mar do morros". A estimativa inicial era que cerca de 60 pessoas estivessem no local na hora do acidente. Segundo a corporação, a definição sobre o número exato de casas atingidas é difícil em razão da lama e dos escombros que se acumulam no local.

A Prefeitura de Niterói já informou que as casas atingidas estariam todas habitadas. Na hora, chovia e ventava muito na região, na zona norte de Niterói. Pouco depois da tragédia, moradores estavam desesperados, chorando, gritando nomes de parentes e tentando ajudar com as próprias mãos as equipes dos bombeiros que foram desviadas de outros locais para tentar encontrar soterrados.

Cinco unidades dos bombeiros, entre os quais o Grupamento Florestal com cães farejadores, foram deslocadas para a região. Os bombeiros informaram também que a cúpula da corporação e da Secretaria Estadual da Saúde e Defesa Civil se encaminhavam para a área atingida.

Em todo o Estado já foram confirmadas 153 mortes até as 5h desta quinta-feira. A tragédia no Rio já supera a ocorrida em Santa Catarina, em novembro de 2008, quando morreram 135 pessoas por causa dos temporais.

A maioria dos óbitos, no Rio, foi causada por deslizamentos de terra ou desabamentos, segundo informações da Defesa Civil do Estado.

Histórico

A chuva está sendo considerada a mais intensa já registrada na cidade nas últimas décadas. Muitas pessoas não conseguiram retornar para suas casas na segunda-feira, pois o transporte público foi afetado devido a áreas de alagamento registradas em diversas partes da capital e região metropolitana.

Em menos de 24 horas choveu em média 288 milímetros na cidade, segundo a Prefeitura do Rio.


Com informações da Agência Estado.

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