Com medo, família de militar que atuou na Providência pode deixar o Rio

RIO DE JANEIRO - A família do tenente Vinicius Ghidetti, um dos acusados do assassinato de três jovens moradores do Morro da Providência entregues a traficantes rivais do Morro da Mineira, está escondida em um hotel e poderá deixar o Rio de Janeiro em razão de ameaças que vem sofrendo. Segundo a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Rio, Margarida Pressburguer, a mulher do tenente, identificada apenas como Aline, teme pela sua vida e pela do filho de dois meses do casal.

Redação com Agência Estado |


Arquivo/Agência Estado
Operários e militares no Morro da Providência
Margarida se reuniu nesta quarta-feira com os advogados do tenente, que informaram que Aline teria recebido telefonemas ameaçadores. "Ninguém sabe de que lado partiram esses telefonemas (traficantes, militares ou parentes dos mortos), mas ela está muito assustada", disse a presidente.

Na semana passada, Margarida já havia se reunido com o pai do soldado José Ricardo Rodrigues de Araújo, também acusado de participar do crime.

O pai, que não teve seu nome divulgado, contou que uma pessoa bateu na porta de sua casa com jornais que mostravam o nome do soldado divulgado e perguntando se era seu filho. O pai do soldado mora com a mulher, outros filhos pequenos, a irmã e seus sobrinhos numa favela próxima ao Morro da Mineira, na zona norte da cidade. Segundo Margarida, a comissão vai notificar a Secretaria de Segurança Pública sobre as ameaças.

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.


Leia também:


Leia mais sobre: violência no Rio

    Leia tudo sobre: rio de janeiro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG