Com maioria,governo quer CPI da Petrobras mais técnica

Por Natuza Nery e Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - A base aliada está disposta a exercer sua maioria sobre as investigações na CPI da Petrobras. Formalmente instalada nesta terça-feira, o comando da CPI está integralmente nas mãos dos governistas.

Reuters |

Eleito para a presidência com todos os oito votos governistas, o senador João Pedro (PT-AM) indicou para a relatoria o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). Ele dará o tom das investigações.

"Eu vou fazer um trabalho técnico", disse Jucá, prometendo entregar um plano de trabalho na primeira reunião formal da comissão, marcada para a manhã de 6 de agosto.

"Eu não vou fugir um milímetro do escopo que motivou a CPI", enfatizou o relator.

O inquérito sobre a Petrobras engloba denúncias de supostas fraudes contábeis e em licitações para reforma de plataforma de petróleo. Também ira apurar suspeitas de superfaturamento na construção da refinaria Abreu Lima (PE) e possível desvio de recursos dos royalties do petróleo por funcionários da Angência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Pouco antes da sessão que abriu formalmente os trabalhos da CPI, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, enviou uma carta ao relator colocando-se à disposição dos senadores. Romero Jucá, porém, afirmou que não deve convocá-lo prontamente.

"Não queremos transformar essa CPI em uma disputa eleitoral antecipada", afirmou o líder do PT na Casa, Aloizio Mercadante (SP) antes da votação.

Dias atrás, quando a investigação sobre a estatal já era considerada inevitável, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confidenciou a um senador petista não estar disposto a "encarar mais uma CPI do mensalão", em que o partido e o próprio Executivo foram submetidos a uma verdadeira devassa, mais tarde usada como arma eleitoral pela oposição.

"Não queremos fazer disso uma campanha política, mas somos contra aqueles que usam a Petrobras como instrumento de governo", disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra

(PE).

O PSDB já apresentou à presidência da comissão uma lista de 43 pedidos, requisitando o conteúdo de investigações empreendidas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União, além de requerimentos de convocação. Gabrielli ainda não figura em nenhum deles.

SARNEY

Alvo de denúncias --inclusive por ter supostamente desviado recursos culturais da Petrobras por meio da fundação que leva seu nome--, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é sustentado no cargo pela mesma coalizão governista que dirige a

CPI.

A disposição inicial é preservá-lo. Sarney, porém, pode ser alvo do inquérito político.

"Em princípio, qualquer patrocínio da Petrobras pode ser investigado", ponderou Romero Jucá.

"Não vai ser a CPI da denúncia do Sarney, mas isso vai chegar lá", alertou o líder do DEM, senador José Agripino (RN).

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG