CUIABÁ - O ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, desaprovou nesta terça-feira a proposta de militarização da Amazônia como saída para combater o desmatamento e propôs a criação de uma rede de indústrias para viabilizar economicamente a região. A declaração foi dada após reunião com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi para tratar de ações do PAS no Estado.


Agência Brasil
Mangabeira descarta Exército na Amazônia
Indicado para coordenar o Plano Amazônia Sustentável (PAS), considerado o estopim da saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, Mangabeira Unger propôs cinco iniciativas para reduzir os danos à floresta e para ocupar a região de cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados de modo ordenado.

Mangabeira destacou como iniciativa do PAS uma rede de indústrias em toda a Amazônia, ao lado de grandes cidades, 'que transforme produtos florestais, madeireiros e não madeireiros; que fabrique tecnologia apropriada ao manejo sustentável de uma floresta tropical, e também transforme produtos minerais e agropecuários', disse.

'Estamos conscientes da necessidade de incentivos para a instalação de empresas florestais e para a agregação de valor nas indústrias agropecuárias e minerais', acrescentou.

As outras iniciativas são a regularização fundiária, o zoneamento ecológico e econômico da Amazônia, a construção de uma agricultura moderna e democratizada e a formação de recursos humanos para um novo modelo do ensino médio, hoje 'fraco', que combine capacitação técnica e profissionalizante.

'Sem projetos econômicos não haverá estruturas produtivas e sociais organizadas. E uma vasta região sem essas estruturas, é difícil de se defender', afirmou a jornalistas em Cuiabá.

Força Ambiental

O ministro acha que colocar o Exército na defesa de reservas não resolve as questões ambientais e econômicas.

'Jamais podemos imaginar que resolveremos problemas militarizando a Amazônia', disse sobre o trabalho do Exército.

O novo ministro indicado para assumir o Meio Ambiente, Carlos Minc, havia sugerido o uso da Forças Armadas em parques e reservas na Amazônia, mas em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira, apresentou uma nova proposta. O ex-secretário do Ambiente do Rio sugeriu a formação de uma Guarda Nacional Ambiental.

Segundo Mangabeira, o Brasil necessita da reafirmar sua soberania sobre a Amazônia de forma inequívoca'.

'Há sempre um risco enquanto o espaço econômico e social da Amazônia permanecer relativamente vazio', disse. 'Quem cuida da Amazônia é o Brasil', afirmou.

O governador de Mato Grosso, grande produtor de soja, endossa a idéia de fiscalização da região por meio de maior presença do Estado.

Maggi comentou ser favorável à uma Guarda Nacional Ambiental, como propôs Minc, mas descartou ceder contingente para compor a nova força de fiscalização.

'Pode criar, mas não conte com a polícia de Mato Grosso. Eu não vou ceder policiais. Não temos polícia para cuidar da floresta'.

A força proposta por Minc seria nos moldes da Força Nacional de Segurança (FNS), que reúne policiais de diversos Estados.


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