Com Lei Antifumo, casas noturnas de São Paulo realizam mudanças

SÃO PAULO - Para não perder clientes nem desobedecer à Lei Antifumo ¿ o que pode gerar multa de R$ 792,50 a R$ 1.585 ¿ bares e casas noturnas da capital paulista já apostam em alternativas. A lei entra em vigor no dia 7 de agosto, em todo o Estado de São Paulo, e proíbe o fumo em locais fechados de uso coletivo.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

Divulgação
Blue Space alugou novo espaço

Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde, divulgado na sexta-feira, revela que 84% dos bares e restaurantes do Estado já se adaptaram à Lei Antifumo. 

José Basílio Victorino, o Victor, dono da casa Blue Space, voltada para o público GLS, na Barra Funda, é um dos que se antecipou à medida. Ele alugou um espaço ao lado do imóvel para criar um área ao ar livre destinada somente aos fumantes. Além do aluguel, avalia que terá de contratar pelo menos mais quatro novos seguranças para auxiliar na fiscalização.

O custo mensal de cerca de R$ 4.500, alto para a casa que só abre aos sábados e domingos, é visto como um investimento. Pelo menos metade das pessoas que sai para a balada fuma. Se não tiver local apropriado, vai ser dentro da pista e o estabelecimento vai ser penalizado, diz.

Este é justamente o ponto que o empresário mais critica na lei: não haver multas previstas para os fumantes. Não temos poder de polícia. Como vou obrigar alguém a não fumar? A lei deveria ter algo que punisse também o fumante, afirma.

A mesma opinião é partilhada pelo proprietário da Áudio Delicatessen, na Vila Madalena, Marcos Zomignani, para quem estão penalizando os donos por atitudes de terceiros. É como a Lei Seca: se o bar vende bebida e o cara mata alguém, o bar é que responde?, indigna-se.

"Posso pedir para um amigo ir à casa ao lado e acender cigarros para prejudicá-los

Além disso, os empresários temem também os dedo-duros, que podem ligar para o Procon ou a Vigilância Sanitária denunciando os estabelecimentos que não estão respeitando a proibição. Para Victor, isso pode gerar intrigas com a concorrência. Posso pedir para um amigo ir à casa ao lado e acender cigarros para prejudicá-la, exemplifica.

Bruno Rico

Macedo investe na tabacaria

O governo do Estado de São Paulo aposta nos dedo-duros para ajudarem na fiscalização. Por isso, coloca à disposição telefone, e-mail e um formulário ¿ que deve ser obrigatoriamente distribuído por todo estabelecimento comercial ¿ para receber as denúncias. É um absurdo esse telefone. Alguém que não gosta de outro cliente, de um funcionário ou até de mim pode denunciar, afirma Marcos Zomignani.

"Somos uma tabacaria, até temos um público não fumante, mas que vem porque aceita as normas"

Para evitar surpresas, Paulo Macedo, gerente do Roma Cigar Bar ¿ La Casa Del Habano, contratou um advogado para saber se o estabelecimento será afetado pela lei. O especialista concluiu que a casa é um caso específico. Somos uma tabacaria, até temos um público não fumante, mas que vem porque aceita as normas, diz.

Este é um dos pontos que mais devem gerar polêmica já que, de acordo com o 6º artigo da lei, ficam livres da restrição locais "exclusivamente destinados ao consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos (...) desde que essa condição esteja anunciada, de forma clara, na respectiva entrada".

No entanto, conforme a assessoria de imprensa do governo, para ser incluído nesta categoria, o estabelecimento não pode vender nenhum tipo de comida ou bebida.

Espaço reformulado

O gerente do bar Azucar, no Itaim Bibi, Ruan Trócoli, adaptou um pequeno jardim para atender aos fumantes. A área era pouco usada. Agora, colocamos mesas e cadeiras para nossos clientes não se sentirem constrangidos por fumar, afirma, acrescentando que, para um bar estilo cubano, como o Azucar, esta não foi uma boa notícia. Não poderemos nem mais vender charutos.

"Morei em Londres muito tempo e foi a mesma revolução, mas deu supercerto"

Quem não tem área livre, estuda autorizar a saída dos clientes para fumar. É o que pretende fazer Lane Rossoni, dona do Único Bar, nos Jardins. Para isso, deve contratar pelo menos mais um segurança para fiscalizar o fluxo das pessoas. Mas, ao contrário dos demais entrevistados, Lane está satisfeita com a restrição. Morei em Londres muito tempo e foi a mesma revolução, mas deu supercerto. Acho que aqui não vai ser diferente. A medida é muito boa, considera.

"Não posso deixar 50 pessoas na rua. As casas que têm espaço aberto serão beneficiadas"

Zomignani, da Áudio Delicatessen, acredita que liberar a saída dos clientes é o único jeito das pessoas não ficarem polidas do direito de fumar. A casa estuda ainda diferenciar os fumantes dos demais frequentadores com algum tipo de pulseira ou carimbo.

No entanto, o empresário avalia que, se permitir que muitas pessoas saiam ao mesmo tempo para fumar, terá problemas com a Lei do Psiu. Não posso deixar 50 pessoas na rua. Assim, as casas que têm espaço aberto serão beneficiadas, considera.

Assista ao vídeo sobre a Lei Antifumo:

Você denunciaria uma pessoa fumando em um ambiente fechado?
Sim

Não



A consulta é realizada somente entre internautas e não tem valor de amostragem científica

Leia também:

Leia mais sobre: Lei Antifumo

    Leia tudo sobre: barescigarrolei antifumo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG