Com gripe e caso Dilma-Lina, popularidade de Lula cai, aponta pesquisa CNT/Sensus

A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu 4,4 pontos percentuais, em relação a junho, e foi para 65,4%. A avaliação negativa aumentou de 5,8% para 7,2%. Os dados constam da 98ª pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT)/Sensus.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

Na última pesquisa, divulgada em junho pela CNT/Sensus, a avaliação positiva do presidente Lula foi de 69,8%. Em março, esse percentual era 62,4%.

Apesar de também ter apresentado queda, o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é positivo para 76,8% da população. O dado representa uma queda de 4,7 pontos percentuais em relação a junho deste ano (81,5), ficando assim, próximo ao patamar de março, que estava em 76,2%. "Vale notar que a avaliação sobre o presidente, apesar da queda, ainda se encontra em patamar significativamente alto", disse diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes.

Gripe e crise política

Guedes associou a queda nas avaliações positivas do governo e do presidente Lula a três fatores: gripe suína, o episódio envolvendo a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira com a ministra Dilma Rousseff e a crise no Senado, envolvendo o senador José Sarney, embora este último tema não esteja contemplado na pesquisa.

Segundo ele, há uma postura do presidente Lula de chamar crises institucionais para si, o que, segundo Guedes, prejudica a popularidade. "Há uma postura menos política de Lula", afirmou. Para Guedes, o principal fator responsável pela queda na avaliação positiva foi a gripe suína.

Marca histórica

A marca histórica do índice positivo durante o governo Lula foi em janeiro de 2009, quando a aprovação pessoal do presidente subiu de 80,3%, em dezembro de 2008, para 84% - a maior desde que a pesquisa começou a ser divulgada, em 1998.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos.

Eleições 2010

Para o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, o panorama das eleições de 2010 continua estável, apontando o favoritismo do governador paulista José Serra. A diferença desta pesquisa para anterior é a entrada da ex-ministra do Meio Ambiente  Marina Silva, que saiu do PT e deve se candidatar pelo PV. Na avaliação dele, o que mais prejudica a candidatura apoiada pelo governo de Dilma Roussef é a rejeição que ela possui em detrimento da chegada da nova concorrente. A rejeição de Dilma aumentou de 35% para 37,6% e está próxima do limite significativo [40%] que inviabiliza a chegada dela no segundo turno, destaca.

A crise relacionada com a denúncia da ex-secretaria da Receita Federal Lina Vieira também influenciou negativamente as intenções de voto em Dilma nas simulações de voto. Apesar da grande divulgação do episódio Dilma-Lina na imprensa, 50,2% disseram que não acompanharam ou não ouviram falar do assunto; 24% acompanharam; 17,5 ouviram falar do assunto e o restante não sabe ou não respondeu. Outro ponto negativo é que, daqueles que acompanharam a história, 23,6% acreditam que a ministra-chefe diz a verdade, enquanto 35,9% apontam a declaração de Lina Vieira como a verdadeira.

Já em relação à transferência de votos do presidente Lula para algum candidato, o índice se manteve estável, de 21,% em março para 20,8% em setembro.

Eleições 2010 - 1º turno

A Pesquisa CNT Sensus perguntou ao eleitor em quem ele votaria (em uma votação espontânea) para presidente da República em 2010: Lula, 21,2%; José Serra, 7,7%; Dilma Rousseff, 4,8%,; Aécio Neves, 3,1%; Ciro Gomes, 1,0%; sem candidato,  58,5%.

Foram aplicadas aos entrevistados oito listas com diferentes cenários no primeiro turno. Veja o resultado:

Primeira lista: José Serra, 39,5%; Dilma Rousseff, 19%; Heloísa Helena, 9,7%; Marina Silva, 4,8%; sem candidato, 27,2%. Marina não tinha sido incorporada na pesquisa anterior.

Segunda lista: Dilma Rousseff, 23,3%; Aécio Neves, 16,8%; Heloísa Helena, 13,3%; Marina Silva 8,1%, sem candidato, 38,5%.

Terceira lista: José Serra, 42,2%; Heloísa Helena, 10,8%; Antonio Palocci, 7%; sem candidato, 32,8%.

Quarta lista: Aécio Neves, 18%; Heloísa Helena, 18%, Marina Silva, 9,8%, Antonio Palocci, 8,5%, sem candidato, 45,9%.

Quinta lista: José Serra, 40,5%; Heloísa Helena, 10,7%; Ciro Gomes, 8,7%; Marina Silva, 7,1,% sem candidato, 33,1%.

Sexta lista: Aécio Neves, 17,6%; Heloísa Helena, 16,1%; Ciro Gomes, 12,0%; Marina Silva, 9,3,% sem candidato 45,2%.

Sétima lista: José Serra, 40,1%; Dilma Roussef, 19, 9%; Marina Silva, 11,2,%; sem candidato 43,9%.

Eleições 2010 - 2º turno

No segundo turno, outras seis simulações foram feitas.

Na primeira opção, venceria o governador de São Paulo, José Serra, 49,9% e Dilma Rousseff ficaria com 25%, sendo que 25,2% não têm candidato.  Em maio, os números eram 49,7%, 28 7% e 21,7%, respectivamente.

Um segundo cenário coloca a ministra-chefe Dilma Roussef e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Ela venceria com 35,8%, e Aécio aparece com 26,0%; e 38,3% não têm candidato. Os dados de maio são 39,4%, 25,9% e 34,8%, respectivamente.

No terceiro cenário, entre José Serra e Ciro Gomes, o tucano vence com 51,5%, enquanto Ciro fica com 16,7%. 31,9% não apontaram candidatos.  Os dados de maio são 39,4%, 25,9% e 34,8%, respectivamente.

Na quarta opção, Ciro Gomes sairia na frente com 30,1% e Aécio ficaria com 24,2%. Os sem candidato somam 45,8%.

A quinta opção inclui Serra e Palocci, apontando vitória para o tucano com 54,8% e o petista teria 11,3%.

Na sexta e última opção, Aécio e Palocci, indica a vitória do governador mineiro com 31,4% e o ex-ministro da Fazenda com 51,2%.

Pontos não levantados

Questionado sobre a ausência de um cenário eleitoral envolvendo Dilma Roussef, José Serra, Marina Silva e Ciro Gomes, o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que não acreditava na possibilidade de haver uma formação como esta pelo fato de que Ciro Gomes faz parte da base aliada do governo.  

Outra ausência sentida na pesquisa foi uma questão específica sobre a influência da crise no Senado na avaliação do governo federal e da aprovação popular do presidente. Não houve uma resposta direta por parte da entidade. Guedes afirmou apenas que o questionamento do caso Lina-Dilma trazia o assunto embutido. O diretor do instituto também não comentou o peso que as denúncias de atos secretos no Congresso Federal, com promoção de nepotismo e uso irregular de verbas públicas poderiam ter no levantamento. Ele também não garantiu se usará o assunto na próxima avaliação.

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