Com foco eleitoral, PT abre Congresso Nacional nesta quinta-feira

O Congresso Nacional do PT, cuja 4ª edição começou por volta das 10h desta quinta-feira, em Brasília, é o principal foro de decisão do partido que na semana passada celebrou 30 anos de existência. Sem periodicidade fixa, o Congresso é convocado em momentos chave e define desde aspectos teóricos e programáticos até estratégias eleitorais e o funcionamento burocrático do PT. Nesta quarta edição, os 1.300 delegados escolhidos por votação direta no final do ano passado vão discutir estratégia eleitoral, programa de governo e organização do partido, mas o pano de fundo será como superar a dependência eleitoral do PT em relação ao seu maior líder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pela primeira vez desde 1982 não será candidato. A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, participou da abertura do evento no qual deverá ser aclamada candidata à presidência.

Ricardo Galhardo e Priscila Borges |

"É claro que teremos debates mas, por ser em ano eleitoral, este será um congresso mais eleitoral do que teórico", disse o secretário nacional de Relações Internacionais, Valter Pomar.

Dilma foi uma das primeiras a chegar ao congresso que começou com um seminário voltado para convidados estrangeiros que deve se estender durante todo o dia. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também participa do seminário.

Além dos ministros, apenas cerca de 150 dos 1.300 delegados credenciados compareceram ao seminário de abertura, que é fechado à imprensa.

Apesar do foco eleitoral, os documentos base da discussão permitem entrever mudanças. Do ponto de vista programático, o partido assumiu a defesa da maior participação do Estado na economia no texto "Diretrizes para o Programa de Governo", o que é visto por muitos como uma inflexão à esquerda.

Por outro lado, a direção partidária concentrará ainda mais poder ao decidir, no documento "Tática Eleitoral e Política de Alianças", que todas as decisões sobre candidaturas e alianças nos Estados estarão subordinadas à eleição de Dilma, centralizadas no diretório nacional.

Mudanças no funcionamento interno também estão previstas. O PT deve aprovar alterações no estatuto, rever a política de filiações e criar uma escola de formação. "Também vamos definir a duração do mandato dos dirigentes", lembrou Carlos Henrique Árabe, secretário de Formação.

Além disso o PT vai homologar por aclamação a candidatura de Dilma e dar posse à nova direção, eleita em novembro de 2009.

Historicamente os congressos nacionais do PT pontuaram a mudança gradual de um partido que rejeitava radicalmente a estrutura política vigente para uma máquina eleitoral pragmática e eficiente.

O 1º Congresso Nacional, realizado em São Bernardo do Campo em 1991, serviu como uma espécie de divã para a esquerda que vivia uma crise em nível mundial provocada pelo fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, dois anos antes. O 1º Congresso Nacional também serviu como espaço para o PT discutir pela primeira vez de forma abrangente estratégias eleitorais mais eficazes, em vista da derrota de Lula para Fernando Collor de Mello em 1989. Um dos efeitos foi a saída, em 1993, da Convergência Socialista, tendência radical de esquerda que deu origem ao PSTU.

O 2º Congresso Nacional ocorreu em 1999, já sob a presidência de José Dirceu (1995-2002), em Belo Horizonte. O PT era o partido que mais crescia no Brasil, acumulava prefeituras de grande porte e governos estaduais, aumentava as bancadas no Legislativo, mas buscava respostas para a terceira derrota consecutiva de Lula ocorrida um ano antes. É considerado até hoje um divisor de águas entre o partido mais ideológico e o programático. E também a gênese da vitória de Lula em 2002.

O 3º Congresso Nacional do PT aconteceu em São Paulo, em 2007, motivado pelo escândalo do mensalão. Convocado em resposta ao grupo que defendia a refundação do PT, deveria ser um foro para o partido lavar a roupa suja, mas o debate ético foi esvaziado pela vitória de Lula em 2006. Ao final, a única discussão foi sobre a descriminalização do aborto. Três anos antes, os últimos rebeldes, encabeçados por Heloisa Helena, haviam deixado o PT para fundar o Psol.

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