Com falta de chuva, PR já indica queda na produtividade do milho

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - A primeira safra de milho do Paraná 2008/09, que certamente será menor que a registrada na temporada passada, devido a uma redução de quase 10 por cento na área plantada, está sendo agora afetada por uma estiagem que já dura um mês, disseram fontes do setor produtivo e do governo.

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"Com certeza, terá redução na produtividade", afirmou o agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral), do governo do Estado.

"Mas qualquer número que soltarmos no momento, não será correto", acrescentou ele, explicando que os dados com uma provável revisão para baixo da estimativa de safra só devem ser divulgados na semana que vem.

O Paraná é o maior produtor brasileiro de milho. Além da redução de área, de 7,5 por cento, segundo o Ministério da Agricultura, a produtividade média estimada também será 3,5 por cento menor, em meio à alta dos custos, especialmente com fertilizantes.

E agora a estiagem é mais um motivo de preocupação para o produtor, que visualiza um cenário de preços inferiores aos custos de produção, com a crise internacional.

"Algumas lavouras tiveram perda total. Mas isso todo ano acontece. Essas perdas acabam sendo compensadas por boas produtividades em outras áreas", disse Hubner, admitindo no entanto que o tempo este ano está menos favorável do que no ano passado.

Cerca de metade da primeira safra do Paraná está na fase de floração, na qual uma boa umidade é consideravelmente importante. Antes da estiagem, a produção de verão do Estado estava estimada em 8,66 milhões de toneladas, aproximadamente 1 milhão de toneladas abaixo da colheita em 2007/08, segundo dados do ministério.

Chuvas estão previstas ainda para esta semana. "Lavouras de soja e milho sofrem mais (o tempo seco). A grande notícia é de que as chuvas estão voltando ao Paraná", declarou o meteorologista da Somar Márcio Custódio.

"Tem previsão de chuvas a partir de amanhã (quarta-feira) de 25 a 30 milímetros no oeste e sudoeste, que são as regiões que estão sentindo mais a seca", acrescentou Robson Mafioletti, técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Segundo Mafioletti, a situação está mais crítica para o milho. "A soja é mais resistente. O milho já tem perdas confirmadas."

O problema só não é maior porque no Sul do Estado, importante região produtora, o problema da falta de chuva é um pouco menos grave, disseram as fontes.

RIO GRANDE DO SUL

No Rio Grandes do Sul, o terceiro produtor de milho do Brasil, a seca também é preocupante.

"Esta semana é decisiva. Se não chover, a coisa fica pesada", disse o agrônomo Dulphe Pinheiro Machado, da Emater-RS, o órgão de assistência técnica do governo gaúcho.

Segundo Machado, a estiagem afeta mais a região de Santa Rosa (noroeste do Estado). Mas mesmo nessa área há algumas lavouras que receberam chuvas, o que dificulta uma análise quantitativa neste momento, disse ele.

"Vamos aguardar essas chuvas", afirmou o agrônomo.

Uma parcela menor do milho do Rio Grande do Sul está em fases críticas, necessitando de chuvas, em comparação ao Paraná. Aproximadamente 20 por cento das lavouras gaúchas estão em estágio de floração, enquanto 10 por cento está em enchimento de grãos.

Segundo o ministério, os gaúchos devem colher 5,3 milhões de toneladas de milho, projeção estável ante 07/08.

(Com reportagem adicional de Peter Murphy)

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