SÃO PAULO - Falta de vagas, lotação e um grande número de transferências deixaram de ser problemas exclusivos da rede pública de atendimento hospitalar em São Paulo. Hospitais particulares tradicionais, como o Albert Einstein, Nove de Julho e Samaritano, têm registrado um aumento na demanda e atingido picos de ocupação em seus leitos.

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Segundo a assessoria do Hospital Israelita Albert Einstein, de duas a três vezes por semana, a instituição atinge 100% da ocupação. Já no Hospital Samaritano, os números indicam uma taxa média de ocupação de leitos de 80%. No ano passado, segundo informações da diretoria do Centro hospitalar, este percentual era de 73%.  

O Sírio-Libanês registra ocupação média de 85%, 4% a mais do que em 2007. Observamos um crescimento de 13% em número de atendimentos por dia, relata o médico Luiz Francisco Cardoso, superintendente de pacientes internos do hospital. No Nove de Julho, a ocupação média também chegou a 85%. Há dois anos, segundo a assessoria de comunicação do hospital, o índice era de 77% de leitos ocupados de segunda a sexta-feira.

Quando o empresário Flávio Sampaio levou seu pai com pneumonia ao pronto-socorro do Hospital Samaritano, não imaginou que passaria por uma maratona de mais de 12 horas para conseguir uma vaga. Chegamos numa quinta-feira à noite e fomos avisados que não havia vaga. Nos ofereceram duas opções: tentar transferência ou esperar por uma vaga. Entrei em contato com os hospitais Santa Catarina, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, São Luiz e Nove de Julho. Todos recusaram receber meu pai, conta Flávio Sampaio.

A família optou por aguardar, evitando o transtorno de uma transferência de madrugada. Às 12h do dia seguinte, Armando Sampaio, de 65 anos, foi internado no próprio Samaritano, onde permaneceu por sete dias. Nosso convênio é o da Sul America e custa quase 700 reais por mês. Passar por uma situação destas é um absurdo, diz Flávio Sampaio. Na lista de espera, havia mais duas pessoas na frente de meu pai. Ou seja, a superlotação atinge a classe média.

Economia aquecida

Para o superintende da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Roberto Cury, o aumento na procura por atendimento em instituições particulares está ligado ao crescimento econômico do País. Com o aumento de empregos formais, cresce o número de beneficiários da saúde suplementar. Em São Paulo, 80% dos planos de saúde são empresariais, informa Cury.

A associação avalia que os hospitais privados de São Paulo registram uma taxa média de ocupação de 75%. Para a entidade, porém, o crescimento na demanda por leitos particulares é uma exclusividade de São Paulo, não vale para os demais Estados brasileiros.

Estratégia

Para absorver os novos pacientes, os hospitais têm investido em reformas ou ampliado suas instalações. O Einstein, por exemplo, está com três novos prédios em construção, que elevarão o número de leitos de 500 para 720. A primeira etapa da obra será entregue no início de 2009. A previsão é concluir o projeto em 2012. 

O Samaritano prepara um novo complexo hospitalar de 15 andares. A obra deve ser entregue no primeiro semestre de 2010. Superintendente-geral do hospital, o médico José Antônio de Lima, explica que a instituição tem reduzido o processo burocrático, entre outras medidas, para diminuir o tempo de espera dos pacientes e garantir vagas nos seus leitos. Quase 90% das nossas internações eletivas [não emergenciais] são pré-agendadas. Os pacientes preenchem a ficha de cadastro online e evitam a perda de tempo com a burocracia.

Nos picos de ocupação, Lima diz que a ordem no Samaritano é priorizar casos graves e efetuar as transferências com segurança. Recebemos, por mês, uma média de 12 mil casos de emergência no pronto-socorro e 1,2 mil internações. São números que exigem muito da administração, avalia o superintendente.

Seguindo o mesmo caminho, o Hospital Sírio-Libanês irá inaugurar, no próximo mês de novembro, uma nova Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com 82 novos leitos.

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