Com crise global, Brasil tem retração de 0,2% em 2009

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A economia brasileira se contraiu 0,2 por cento em 2009, ano marcado pela crise global, apesar de uma forte recuperação no quarto trimestre, mostraram dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Trata-se da primeira queda anual da nova série do IBGE, iniciada em 1996. Considerando a série completa, o desempenho em 2009 foi o pior desde 1992.

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No quarto trimestre, entretanto, a economia brasileira cresceu 2,0 por cento em relação ao terceiro, maior crescimento desde o quarto trimestre de 2007. Frente a igual período de 2008, o país se expandiu 4,3 por cento, taxa mais forte desde o terceiro trimestre de 2008.

Economistas ouvidos pela Reuters esperavam, pela mediana das estimativas, crescimento de 2,1 por cento frente ao trimestre imediatamente anterior e de 4,4 por cento sobre o final de 2008. Para o ano, as projeções apontavam contração de 0,2 por cento.

"Esses resultados positivos agora devem fazer com que a economia continue se recuperando, mas de uma maneira mais gradual", avaliou Rafael Bacciotti, analista da Tendências Consultoria. "A recuperação continua sustentada na manutenção do consumo doméstico."

Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a indústria foi a atividade que mais cresceu, em 4,0 por cento. O setor de serviços teve alta de 0,6 por cento e a agropecuária mostrou estabilidade.

Entre os componentes da demanda interna, a formação bruta de capital fixo --uma medida dos investimentos-- aumentou 6,6 por cento, o consumo das famílias cresceu 1,9 por cento e o consumo do governo teve expansão de 0,6 por cento.

Em relação ao mesmo trimestre de 2008, a formação bruta teve o primeiro aumento do ano, de 3,6 por cento. O consumo das famílias aumentou pelo 25o trimestre seguido, em 7,7 por cento, graças ao aumento da massa salarial e do crédito e também à base fraca de comparação, enquanto o consumo do governo subiu 4,9 por cento.

A indústria, nessa comparação, cresceu 4,0 por cento e os serviços tiveram alta de 4,6 por cento. Já a agropecuária encolheu 4,6 por cento, o que pode ser, em grande parte, explicado "pelo desempenho de alguns produtos que possuem safra relevante no período, caso do trigo e da laranja, que tiveram quedas de produção no ano", segundo o IBGE.

DESEMPENHO NO ANO

No ano passado, a agropecuária caiu 5,2 por cento e a indústria encolheu 5,5 por cento. Já o setor de serviços cresceu 2,6 por cento.

Na análise da demanda, o consumo das famílias aumentou 4,1 por cento, no sexto ano seguido de expansão, e o consumo do governo subiu 3,7 por cento. Por outro lado, a formação bruta de capital fixo caiu 9,9 por cento.

No setor externo, as exportações tiveram redução de 10,3 por cento e as importações, de 11,4 por cento.

A taxa de investimento no ano passado foi de 16,7 por cento do PIB, a menor desde 2006. A taxa de poupança ficou em 14,6 por cento do PIB, mais baixa desde 2001.

Em valores correntes, o PIB do ano passado foi de 3,143 trilhões de reais. "Como em 2009, a população brasileira cresceu 0,99 por cento, o PIB per capita ficou em 16.414 reais, sofrendo uma queda de 1,2 por cento, em volume, em relação a 2008", acrescentou o IBGE.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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