SÃO PAULO - O paulistano está tendo seu dia de praia em plena avenida Paulista, desde as 11h30 desta sexta-feira. Cerca de 13 pessoas vestem trajes de banho na altura do Masp e o número de participantes da Praia paulistana só aumenta. Curiosos e homens de gravata também passam pelo local, mas parece que não aderiram ao movimento.

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Atores tomam banho de sol na avenida Paulista
Os grupos "Bote No Contra Fluxo" e "Urubus" espalharam os convites para o evento durante toda a semana e eles esperam mais adesões até o pôr-do-sol. A estrutura praiana montada pelos grupos nas calçadas conta com guarda-sol, violão, esteira, cadeira de praia, cabanas e até uma ducha improvisada.

Luis Gustavo Jahjah, ator de 32 anos, conta que eles queriam trazer uma piscina de mil litros, mas não conseguiram providenciar. "Criamos um ambiente 'farofa' mesmo. Não somos de uma praia chique", brinca.

No canteiro central da avenida, outra extensão da praia paulistana. Logo abaixo do termômetro que chegou a marcar 32ºC, uma jovem de biquíni toma sol deitada na esteira - cercada por fotógrafos. Mesmo a chuva que atingiu a cidade à tarde não espantou os banhistas.

Jahjah conta que o objetivo do grupo era abordar a questão do "calor no concreto" e poder aproveitar o sol na Paulista. Queremos misturar o desejo com a realidade".

O ator explica que é de Santos, no litoral de São Paulo, e ainda não se adaptou à ausência de praia. "A ideia surgiu em Santos, inclusive, quando andávamos de sunga pela rua e constatamos: 'queríamos andar assim na Paulista'".

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Nem a chuva que atingiu São Paulo durante a tarde espantou os "banhistas"
Luis Cândido, de 47 anos, é um dos curiosos que pararam para ver a movimentação. Ele diz que não sabia do evento, mas achou "uma maravilha". "Não temos praia aqui, mas seria bom ter", completou.

Os pedestres passam pela manifestação com pressa, mas fazem comentários do tipo "que hilário" ou "se eu pudesse tomar sol estaria ali".

Babidu, um artista plástico de 29 anos, foi um dos que não era da organização, mas decidiu aderir ao movimento. De sunga, ele conta que veio mais cedo para a Paulista para passar pela "praia". "Daqui a pouco tenho uma reunião no Itaú, mas volto pra cá depois", disse.

O artista diz gostar da ideia de uma mobilização em torno de uma causa, mas acha que "nem todos têm tempo para ir à praia no horário de expediente".

Arthur Kuperman, um "engravatado" de 28 anos, que passou pelo local, concorda com a falta de tempo citada pelo artista. "Na prática, as pessoas têm que trabalhar e ter responsabilidade. Eu queria, mas não posso ir à praia".

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