Com baixa qualidade de vida, brasileiro busca mais cedo apoio na seguridade social

Os hábitos da vida moderna, aliados às precárias condições de trabalho, fazem com que as pessoas se apóiem precocemente no sistema de seguridade social. Essa é a principal constatação do estudo sobre qualidade de vida, divulgado nesta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).

Redação |

Conforme o Ipea, os governos devem buscar alternativas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e, assim, não sobrecarregar o sistema previdenciário.

O estudo do Instituto se baseia em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que mostram que as doenças crônicas representam cerca de 60% do total de mortes por ano, em todo o mundo. Nelas, se incluem, entre outras, as doenças cardiovasculares e respiratórias, diabete, obesidade e câncer. Em 2005, das 35 milhões de pessoas que morreram de doenças crônicas metade era do sexo feminino e não havia atingido 70 anos.

Segundo o Ipea, a expansão dessas doenças reflete, principalmente, a industrialização, o desenvolvimento econômico e a globalização alimentar, que alteraram as dietas, aumentaram os hábitos sedentários e o consumo de tabaco e álcool.

Em 2003, 43,8% dos doentes crônicos estavam na faixa de 40 a 54 anos. Houve crescimento, de 1998 para 2003, de 11% nos doentes crônicos entre 25 e 39 anos. Os possíveis motivos para isso, segundo o Ipea, são os fatores da modernidade, como trânsito, violência, sedentarismo e disseminação dos recursos tecnológicos, que permitem às pessoas trabalharem de qualquer lugar, aumentando assim suas jornadas diárias.

A alta incidência de doenças crônicas gera aumento no número de auxílios-doença e aposentadorias por invalidez concedidos e, consequentemente, diminui a vida útil do trabalhador, que, muitas vezes, não alcança a idade mínima para aposentar. O cidadão tem baixa qualidade de vida, vive mal e a previdência paga por isso, afirma o estudo.

No Brasil, no período de 1979 a 2004, houve queda de 57,1% nas doenças transmissíveis e aumento de 66,7% nos casos de câncer e, de 40%, nos casos de doenças do sistema nervoso. O aumento dessas doenças reforça a importância de políticas públicas de conscientização e prevenção.

Incapacidade laborial e acesso a benefício

A pesquisa do Ipea mostra que, de 1998 a 2003, aumentou em 8,8% a incapacidade laboral entre homens e, 6,9% entre mulheres. Na região metropolitana, houve aumento de 33,7% na concessão do benefício à população. Na região não-metropolitana, o aumento foi de 26,9%. As possíveis causas: deterioração das condições de trabalho, sejam relacionadas a equipamentos de segurança, condições sanitárias e de alimentação.

De acordo com Ipea, quanto maio o nível de renda maior o acesso ao benefício. Isso aconteceria devido ao maior acesso à informação entre a camada mais alta da população, ou devido ao medo dos trabalhadores mais pobres de perderem o emprego, o que faria com que trabalhassem mesmo doentes.

As mulheres, apesar de terem mais doenças crônicas que os homens, utilizam menos o benefício: 22% contra 25,5%, deles. Isso porque, em geral, os homens tendem a ser mais estáveis no emprego e, consequentemente, na contribuição.

A pesquisa aponta ainda que, de 1992 para 2007, aumentou a duração média da aposentadoria por invalidez de 12 para 16 anos. 

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