Pelo menos http://ultimosegundo.ig.com.br/gripesuina/2009/07/29/tres+municipios+do+grande+rio+prorrogam+ferias+devido+a+gripe+suina+7572993.html target=_top11 milhões de alunos (número contabilizado até a manhã da última sexta-feira) das redes estaduais e municipais dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e do Distrito Federal terão mais duas semanas de folga por causa da ¿gripe suína¿ (http://ultimosegundo.ig.com.br/gripesuina/2009/04/30/gripe+suina+oms+decide+adotar+a+denominacao+gripe+a+h1n1+5867930.html target=_toprebatizada de gripe A H1N1 pela OMS). Na rede particular, apesar da recomendação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particular destes Estados para que as escolas adiem o retorno às aulas, os colégios têm autonomia para montar o próprio calendário.

Agência Brasil
Crianças de 4 estados terão aulas suspensas

A forma como as aulas serão repostas ainda não foi decidida - poderá ser aos sábados, após o horário normal ou nas férias de dezembro/janeiro. Professores já enxergam empecilhos.

É o caso de Marilsa Barga Lovatto, de 58 anos, professora de língua portuguesa do Sesi, no ABC paulista. Com base nas experiências que já teve de aulas suspensas, ela vê dificuldade em repor aula aos sábados. Isso em razão da ausência de alunos. Ninguém vai, só tem professor na escola e, no máximo, meia dúzia de alunos, lamenta.

Para evitar que eles se prejudiquem, Marilsa evita passar conteúdos novos. Temos que dar outro tipo de atividade.

Essa também é a atitude da professora Maria Cândido*, da rede estadual: quando a reposição é esporádica damos aula de reforço porque, se for matéria nova, depois temos de repetir na outra semana. Neste cenário, ela ainda não sabe o que será feito. Quinze dias é muito conteúdo.

O Conselho Estadual de Educação afirmou que prepara uma resolução para orientar as escolas na organização do novo calendário por causa da prorrogação das férias.

Pelas diretrizes, que deverão ser divulgadas no dia 12 de agosto, cada instituição de ensino de São Paulo poderá fazer a reposição das aulas como achar melhor. Ainda assim professores não veem alternativas. É um grande problema do calendário porque já temos de ir até o dia 20 de dezembro. Com a reposição, vamos comer peru de Natal na escola, brinca a professora de história Sueli Medeiros, de 34 anos.

Sueli, que é mãe de Júlia, de 5 anos, e Pedro, de 3, afirma que a escola de seus filhos só retornará as atividades pedagógicas no dia 17 de agosto, mas continuará aberta para quem não tiver com quem deixar os filhos. Por sorte, tenho a opção de deixá-los com os avós, senão teria que enviá-los do mesmo jeito.

Medida sensata

Apesar das dificuldades em relação à reposição, há professores que acreditam que adiar as aulas foi a melhor maneira encontrada para evitar que o vírus se propague ainda mais.

Em 15 dias a doença não vai desaparecer, mas pelo menos isso vai desafogar um pouco os hospitais, que não teriam como dar conta de tantos pacientes, argumenta o professor de matemática Rômulo Mussel, de 26 anos, de Niterói, no Rio de Janeiro. É uma medida sensata, acrescenta.

A pedagoga Cleide Russo, de 59 anos, de São Paulo, avalia a decisão como positiva, já que na faixa etária em que leciona ¿ crianças de 4 a 6 anos - muitos ainda não têm consciência dos hábitos de higiene que são necessários. Tem criança que não sabe nem lavar as mãos direito. Esperamos que, agora, os pais tomem alguma providência porque sozinhos não damos conta de ensinar a todos.

Agência Brasil
Crianças aprendem como se proteger da gripe em escola de Brasília

Autonomia de decisão

O Ministério da Saúde informou que não tem controle sobre quais Estados ou escolas adiaram as aulas, já que só recomendou que alunos com algum sintoma da gripe suína não fossem à escola e procurassem um serviço de saúde. Não houve recomendação do Ministério para adiar as aulas. Essa é uma decisão que cabe às secretarias estaduais e municipais, afirmou a assessoria do órgão.

A reportagem do Último Segundo também consultou os sindicatos das escolas particulares de todos os Estados que informaram que irão adiar as aulas na rede pública. Como cada estabelecimento pode acatar ou não a recomendação da entidade, eles também disseram que não têm dados sobre quantas escolas optaram por prorrogar as férias.

No entanto, os sindicatos garantem que este número é cada dia maior. Após a suspensão das aulas na rede pública, a maior parte das escolas particulares seguiu a orientação da Secretaria de Saúde. Universidades como Fundação Getúlio Vargas, Mackenzie e Cásper Libero adiaram para o dia 17 o retorno às aulas.

Efeito questionável

Para o médico infectologista Mário Sérgio Moreno, diretor técnico do hospital da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Sorocaba, a decisão das secretarias de adiar as aulas está baseada no conceito de que em locais fechados ou com aglomeração de pessoas é mais fácil o vírus se propagar.

No entanto, segundo ele, a medida só faria sentido se as pessoas ficassem isoladas dentro de casa. Não é isso que acontece, elas vão a parques, shoppings, shows, supermercados. Os pais podem levar o vírus para casa."

Outro ponto que Moreno questiona é a justificativa de algumas escolas de que em 15 dias o tempo estará melhor: ainda estaremos no meio do inverno, que só acaba no final de setembro.

De acordo com o infectologista, não há justificativa para pânico e a gripe A H1N1 "é preocupante tanto quanto outras doenças. Morre mais gente de enfarte, de acidente ou de gripe por dia?, questiona. Há um exagero nisso, não dá para identificar em toda sociedade quem está gripado, diz.

Suspensão de aulas em creche atrapalha pais; assista ao vídeo:

*O nome da entrevistada foi trocado a seu pedido

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