A Polícia Civil utilizou mais de 250 agentes para levar o chinês naturalizado brasileiro Liu Chang Hong à Vila Cruzeiro, na Penha (zona norte), onde ele reconheceu o local onde foi mantido em cativeiro por quase 28 horas, após ser levado na manhã de sábado por criminosos junto com outros dois chineses e um diplomata vietnamita, em uma falsa blitz, na Estrada das Paineiras, zona sul da cidade. O local do cativeiro foi encontrado, alguns bens foram apreendidos e a carcaça queimada de um dos veículos utilizados foi recuperado.

Tudo será periciado", disse o delegado-titular da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista, Fernando Veloso.

A favela já estava ocupada pelo Batalhão de Operações Especiais, o Bope, desde a tarde de ontem e não houve confrontos. Entre os itens apreendidos estão espelhos com cujas digitais serão comparadas com as impressões dos suspeitos já identificados. Veloso avaliou que o cenário encontrado na favela confirma a veracidade do depoimento dos estrangeiros.

O chinês contou à polícia que as vítimas ficaram na favela dentro de um carro até três horas da manhã, foram retirados vendados para o cativeiro e fugiram no domingo às 14 horas. Os reféns ficaram em um buraco dentro de um casa em construção, sem portas, janelas ou teto. A entrada era fechada por uma caixa d'água cheia de tijolos. "Os quatro fugiram juntos. Foi uma proeza. Não vislumbro a facilitação de fuga", disse o delegado.

O motivo para o crime permanece um mistério para a polícia fluminense. Veloso reconheceu que não houve avanço sobre os motivos que levaram traficantes da Vila Cruzeiro a cruzar a cidade e seqüestrar trabalhadores chineses na zona sul. No entanto, uma nova linha de investigação tomou força. O crime teria sido cometido por milicianos que entregaram os estrangeiros aos traficantes da Vila Cruzeiro. O ato seria uma ameaça para que a empresa onde eles trabalhavam - a Companhia Siderúrgica do Atlântico, em Santa Cruz (zona oeste) - pagasse proteção. A Polícia Federal informou hoje que os chineses estão em situação regular no país.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.