Com 3% da renda nacional, todas as famílias brasileiras superariam a pobreza, diz Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta quinta-feira, uma análise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Ipea, para fazer com que todas as famílias pobres do País superassem a linha de pobreza seria necessário apenas 3% da renda nacional ou menos de 5% da renda dos 25% da população mais rica.

Redação com Agência Brasil |

Agência Brasil
Sergei Soares, representante do Ipea
O Instituto afirma que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e, em função disso, a extrema pobreza ainda está muito acima do que se poderia esperar de um país com essa renda per capita. Hoje, um brasileiro pertencente ao 1% mais rico, ou seja, que vive em uma família com renda per capita acima de R$ 4.400 por mês, pode gastar em três dias o equivalente ao que um brasileiro do grupo dos 10% mais pobres levaria um ano para gastar.

Apesar de estar registrando desde 2001 queda da desigualdade social num ritmo realmente bom, o Brasil ainda é um monumento à desigualdade. Aqui, uma família considerada pobre leva um ano para gastar o mesmo que o 1% mais rico gasta em apenas três dias, informa o pesquisador do Ipea, Sergei Soares.

Para medir o índice de desigualdade do país, o Ipea adotou o chamado Coeficiente de Gini, que varia de zero a um. Quanto mais próximo de um for esse coeficiente, menos justa é a distribuição de renda da sociedade.

Em 2001, o Coeficiente de Gini no Brasil estava em 0,594. Desde então, vem caindo ano a ano, e chegou a 0,544 em 2008.

Sergei explica que mantendo essa tendência recente de redução da desigualdade registrada nos últimos anos, que em média foi de -0,007, "o Brasil levará 20 anos para chegar a um patamar que pode ser considerado justo". Segundo ele, isso corresponde a um índice de 0,40 no Coeficiente de Gini.

Hoje, a renda apropriada pelo 1% mais rico é igual a dos 45% mais pobres, indica o Ipea. Além disso, quase 50 milhões de pessoas ainda vivem em famílias com renda abaixo de R$ 190 por mês.

Segundo o Ipea, se 1/3 da renda nacional fosse perfeitamente distribuída seria possível garantir a todas as famílias brasileiras a satisfação de suas necessidades básicas.

Os avanços

Apesar ainda dos grandes contrastes, a análise feita pelo Ipea mostra que o Brasil evoluiu no combate à desigualdade. De 2001 a 2008, a renda familiar per capita da população cresceu 2,8% ao ano. Porém, entre os 10% mais pobres o crescimento foi de 8,1% ao ano, enquanto entre os 10% mais ricos foi de 1,4%.

Conforme o Ipea, em 2001, a renda média dos 20% mais ricos era 27 vezes a dos 20% mais pobres. Em 2008, passou a ser 19 vezes. Houve uma redução de 30% na desigualdade em sete anos. A extrema pobreza também foi reduzida à metade de seu valor em 2003.

O pesquisador sugere que o governo continue fazendo mais do mesmo, estimulando programas como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo, e invista em educação e estimule a formalidade no mercado de trabalho.

Para acelerar esse processo é necessário que façamos mais do que apenas olhar as coisas positivas que têm sido feitas. O indicado é que o país atue de forma a melhorar o sistema educacional e a reduzir a informalidade, afirmou. E, claro, isso envolve também medidas que objetivem também a redução da desigualdade racial e regional do país. 

Veja os principais dados da Pnad 2008:

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