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Collor diz que está obrando na cabeça de jornalista

BRASÍLIA - O senador Fernando Collor (PTB-AL) disse nesta segunda-feira que está ¿obrando¿ na cabeça do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, da revista Veja, a quem acusa de ter ido ao gabinete do então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em 1992, e ter oferecido a capa da publicação caso o magistrado condenasse o então presidente da República durante o processo de seu impeachment.

Severino Motta, repórter em Brasília |


Eu tenho obrado em sua cabeça nesses últimos dias, venho obrando, obrando, obrando em sua cabeça. Para que alguma graxa possa melhorar seus neurônios. Para ele cair em si e trazer a verdade. Ele é mentiroso e salafrário, alguém que não merece título de jornalista, disse.

Em termos um pouco mais populares, e segundo o dicionário Aurélio, obrar, além de construir e fabricar, também significa defecar. Se usado neste sentido, Collor trouxe ao plenário do Senado uma velha expressão popular de baixo calão.

Agência Senado
Collor em pronunciamento na sessão desta segunda-feira
O senador Fernando Collor (PTB-AL) em pronunciamento na sessão desta segunda-feira

As palavras do ex-presidente foram proferidas devido à coluna semanal de Toledo. Ele rebate acusações que Collor fez num discurso na segunda-feira da semana passada, acusando-o de tentar manipular a decisão de um magistrado oferecendo a capa da revista "Veja".

Toledo diz que tudo não passa de uma mentira e que jamais teve poder para oferecer a capa da revista a quem quer que seja. Ele ainda alfineta o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), dizendo que alguém que tem Collor e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), como defensores não pode se sentir defendido.

Moda

Desde a semana passada que insultos desferidos ou trocados, por ou entre senadores, têm se intensificado na Casa. Na segunda-feira que Collor discutiu com Pedro Simon (PMDB-RS) e fez as primeiras acusações contra Toledo, ele chamou o senador peemedebista de parlapatão, que de acordo com Aurélio, significa mentiroso e impostor.

Na quinta-feira, os senadores Renan Calheiros e Tasso Jereissati
(PSDB-CE) apresentaram outro episódio de insultos em plenário
. Durante o bate-boca, os parlamentares trocaram ofensas como "cangaceiro de terceira categoria e coronel de merda.

No episódio, Tasso pediu um processo por quebra de decoro parlamentar fosse instituído contra Renan por usar de expressões descorteses ou insultuosas, conforme assevera o regimento interno da Casa.

Assista ao video da discussão:

Se levado ao pé da letra, cangaceiro, segundo o Aurélio, significa bandido do sertão nordestino, e merda, ainda de acordo com o mesmo dicionário, quer dizer pessoa insignificante, sem valor ou préstimo.

Em todos os casos existiria a quebra do decoro parlamentar. Seja por Collor e seu parlapatão, por Renan com seu coronel de merda ou por Tasso, com seu cangaceiro de terceira categoria.

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