Cólicas afetam 65% das mulheres no mundo

Cólicas afetam 65% das mulheres no mundo Por Andressa Zanandrea São Paulo, 23 (AE) - A chegada da menstruação pode ser um verdadeiro tormento. Todo mês, nesse período, muitas mulheres têm como companheiros dores, inchaço e irritação.

Agência Estado |

As cólicas afetam 65% da população feminina em idade reprodutiva. Todo o mal-estar que vem a tiracolo prejudica as atividades do dia-a-dia, inclusive o trabalho: a redução da produtividade chega a 66,8%. É o que revela o estudo Disab (Dismenorréia & Absenteísmo no Brasil), da MedInsight.

"Ninguém com dor é capaz de pensar, estudar e trabalhar adequadamente. A cólica atrapalha a qualidade de vida da mulher", diz o ginecologista Edilson da Costa Ogeda, do Hospital Samaritano, em São Paulo. O martírio dura três dias - as cólicas costumam aparecer um dia antes da menstruação e são mais fortes nos dois primeiros dias. "Algumas mulheres sentem dores semelhantes às do trabalho de parto", afirma a ginecologista Lucila Evangelista, do Hospital Albert Einstein. Como se não bastasse a cólica, durante o período menstrual pode haver também cansaço, inchaço, enjôo, dor de cabeça, diarréia e até vômito. A vontade é uma só: ficar em casa.

Não é preciso mais sofrer e deixar de viver normalmente por causa da cólica: é possível remediar e até evitar esse mal com anticoncepcionais ou antiinflamatórios. Quem opta por tomar anticoncepcional menstrua menos e fica com o endométrio (camada que reveste o útero) mais fino, explica o ginecologista César Eduardo Fernandes, da Faculdade de Medicina do ABC e membro do Disab. "Com menos tecido para descamar, as contrações e as dores são mais leves."

O antiinflamatório é eficaz, segundo o médico, pois atua na causa do problema: diminui a produção da prostaglandina - que faz o útero contrair -, reduzindo as dores. O número de doses diárias varia de acordo com o remédio, que também pode ser tomado por quem usa anticoncepcional caso a dor continue.

A pílula foi a salvação para a técnica em segurança do trabalho Nádia Lígia dos Santos, de 22 anos. Há três meses, ela passou a tomar anticoncepcional e se livrou de fortes cólicas. "A dor sumiu." O sofrimento era tanto que Nádia chegou a tomar remédios na veia. "Faltei vários dias no trabalho porque não conseguia nem falar de tanta dor. Eu só ficava deitada, nem queria pensar."

Para aliviar a dor, além de tomar remédios outra dica é praticar exercícios regularmente. A academia não deve ser abandonada no período menstrual, alerta a médica Lucila Evangelista. "A prática deve ser constante, em um nível de moderado para mais."

Boxe:
PERGUNTAS E RESPOSTAS
O que é?
A cólica primária ocorre sem doenças. A secundária, quando há um problema, como miomas.

Quem tem?
Geralmente as jovens. As cólicas começam dois anos após a primeira menstruação. Algumas mulheres têm mais sensibilidade. Em outras, as contrações chegam a ser até três vezes mais fortes. Se a mãe teve, a filha também costuma ter.

Por que acontece?
Na menstruação, o endométrio descama em fragmentos e coágulos. É liberada uma substância (prostaglandina) que dilata o colo do útero e provoca contrações para eliminar o sangue.

Além de tomar remédio, o que fazer?
Usar bolsa de água quente e praticar exercícios.

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