Colheita de soja avança e deixa frete mais caro no Brasil

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - Com a colheita recorde de soja avançando nos principais Estados produtores do grão mais produzido no Brasil, os preços para o transporte rodoviário da commodity tiveram uma alta acima do normal para esta época de escoamento da safra, afirmaram especialistas.

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Isso ocorre também em meio a uma colheita mais antecipada e concentrada este ano, com um volume maior do produto seguindo para os portos antes do normal, já em fevereiro, o que elevou a demanda por caminhões para transportar a oleaginosa.

O Brasil deve ter uma safra de soja em 2009/10 de 66,7 milhões de toneladas, contra 57,2 milhões na temporada passada, de acordo com o Ministério da Agricultura.

"Ano passado, pagava-se 210 reais por tonelada de Sorriso (MT) para os portos, o dólar estava 2,30 reais, e isso equivalia a 91 dólares por tonelada. Hoje o mesmo frete está em 235 reais, com o dólar a 1,82 real, dá 129 dólares por tonelada, aumento de 41 por cento em dólar", destacou João Birkhan, diretor da Central de Comercialização de Grãos da Famato, a associação dos produtores de Mato Grosso.

Para Birkhan, os produtores, que precisam transformar seus custos em dólar, porque recebem pela soja na moeda norte-americana, não têm como suportar essa diferença.

"Se gastamos 129 dólares de frete, mais 10 dólares para carregar no porto, são cerca de 140 dólares, de 360 dólares, que é o valor FOB no porto, então nós gastamos 38 por cento do valor do nosso produto nessa despesa", declarou nesta sexta.

Ele observou que o produtor pode até tentar segurar suas vendas, diante da menor rentabilidade, mas há limite para se fazer isso, pois ele precisa quitar dívidas e, em geral, não tem onde armazenar toda a produção.

A soja já chegou a valer 17,5 dólares por saca no Estado nesta safra, e hoje está em torno de 14 dólares, queda essa explicada, em parte, pela alta do custo com o transporte.

"A bolsa caiu, mas os custos internos aumentaram, e o frete é o principal, e quem paga a conta é o produtor."

No começo da safra, o frete entre Sorriso, principal município produtor de soja do Brasil, e os portos do Sul e Sudeste estava em torno de 200 reais por tonelada.

"Temos 4 milhões de toneladas de milho da safra passada por transportar, e isso se não tem pressão de transporte tem pressão de armazenagem, que rouba o espaço da soja. E agora mais de 18 milhões de toneladas (da atual safra de soja)."

Ao lamentar as deficitárias condições logísticas no Estado, ele alertou para a necessidade da conclusão do asfalto da BR-163, em direção ao Pará, que daria uma alternativa mais barata de exportação.

ALTA GERAL NO FRETE

Se a situação em Mato Grosso, com a colheita já realizada em 35 por cento da área cultivada, é preocupante, até pela distância dos portos (de mais de 2 mil quilômetros, no caso de Sorriso), as outras regiões produtoras do país que já iniciaram a colheita também estão sofrendo, afirmou o analista da AgraFNP Aedson Pereira.

O analista, que detectou aumento no custo do transporte também em Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, onde as áreas colhidas variam de 25 por cento a 15 por cento, acrescentou um outro fator para o aumento do frete: a necessidade de as transportadoras recuperarem as perdas do ano passado.

"Também por causa da crise, as empresas tiveram de reajustar. O setor de transporte sofreu no ano anterior, empresas tiveram que vender caminhões, demitir funcionários, e agora estão repassando custos", disse ele, lembrando que exportações recordes no mês também colaboram.

Ele destacou que há aumentos expressivos de 30 por cento no frete, mesmo em reais, em rotas como Cascavel-Paranaguá, no Paraná. E também verificou aumento de cerca de 15 por cento, em reais, entre Rondonópolis (MT) e Santos (SP).

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