Coleção de arte Saint Laurent-Bergé arrecada 374 milhões de euros em leilão

Javier Alonso. Paris, 25 fev (EFE).- A venda de duas figuras em bronze reivindicadas sem sucesso pela China encerrou hoje o leilão da coleção de arte privada Yves Saint Laurent-Pierre Bergé, que, apesar da crise econômica, arrecadou quase 374 milhões de euros.

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Os 28 milhões de euros oferecidos no Grand Palais parasiense por duas cabeças em bronze do século XVIII, uma de rato e outra de coelho, confirmaram o leilão de obras particulares como um dos mais bem-sucedidos dos últimos 12 anos.

A espetacular coleção que o estilista Yves Saint Laurent - morto no ano passado - e seu companheiro Pierre Bergé montaram durante 50 anos foi desfeita em apenas três dias.

Embora o Governo chinês tenha tentado recuperar as duas figuras de bronze, ambas foram a leilão depois que Bergé disse que só as entregaria a Pequim se as autoridades chinesas respeitassem os direitos humanos.

O "leilão do século" deu uma ideia do quanto as artes clássica, antiga e moderna continuam bem cotadas como um investimento seguro, consistente e durável.

A venda da coleção Saint Laurent-Bergé superou expectativas, estabeleceu novos recordes para alguns artistas e até surpreendeu pelo encalhe de um Picasso, pelo qual ofereceram 21 milhões de euros, menos que os cerca de 30 milhões de euros esperados pelos organizadores.

Porém, o leilão confirmou o peso no mundo das artes de pintores como o francês Henri Matisse (1869-1954), cuja obra "Les coucous, tapis bleu et rose" arrecadou na segunda-feira 35 milhões de euros, ou o romeno Constantin Brancusi (1876-1957), que teve uma escultura em madeira ("Portrait de Madame L.R.") arrematada por 26 milhões de euros.

Piet Mondrian e Giorgio de Chirico, entre os modernos, e Théodore Géricault e Jean-Auguste Ingres, entre os mestres antigos, obtiveram novos recordes, assim como outros artistas menos conhecidos para o grande público mas muito valorizados pelos colecionadores.

Alguns dos artistas da coleção de Saint Laurent chegaram até a inspirá-lo em suas coleções, como Mondrian, Picasso e Léger, reunidos numa seleção de peças cuja homogeneidade e elegância foi elogiada por especialistas.

Ontem, o leilão da coleção de mobília surpreendeu a todos quando uma poltrona do designer de origem irlandesa Eileen Gray (1878-1976) chegou aos 21,9 milhões de euros, muito acima dos entre dois milhões e três milhões de euros que a Christie's esperava conseguir.

Porém, emocionante mesmo foi a intensa disputa entre dois colecionadores para ficar com "Belle Haleine-Eau de voilette", um frasco de perfume de 16 centímetros de altura criado em 1921 por Marcel Duchamp (1887-1968) com a colaboração de Man Ray (1890-1976).

Fruto da colaboração de dois artistas que só quiseram provocar, o frasco de perfume, cujo conteúdo evaporou há décadas, foi leiloado por 7,9 milhões de euros. EFE jam/sc

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