Código Florestal tumultua relações entre ministérios

Quatro ministérios entraram em conflito no início deste ano por causa do Código Florestal, em exame pelo Congresso. Em uma aliança incomum, os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, que cuida da parte empresarial, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, responsável pela agricultura familiar e dos sem-terra, uniram-se contra o colega do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Agência Estado |

Os ambientalistas querem manter restrições ao desmatamento, com exigência de 80% de floresta nas propriedades da Amazônia. Os ruralistas querem permitir a derrubada de até 50%.

Stephanes considera que, se as propostas de Minc e de ONGs ambientalistas forem aprovadas, a agricultura será inviabilizada. Na sua opinião, isso seria uma catástrofe, principalmente porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) previu que a produção de grãos em 2009 será de cerca de 137,3 milhões de toneladas, 5,9% menor que em 2008. Isso sem contar que a alta do dólar afetou o preço dos fertilizantes.

Cassel abomina projeto dos ambientalistas. Se aprovado, poderá levar para a cadeia agricultores familiares que, em tradição de mais de 100 anos, plantam uva, café, erva-mate e maçã, entre outros produtos, nas encostas. Tanto é que se recusou a assinar um documento proposto por Minc, com pontos que os ambientalistas consideram importantes para o código. Além do mais, Cassel ainda não se esqueceu de que foi Minc quem divulgou uma lista segundo a qual o campeão absoluto de desmatamentos na Amazônia é o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os seus assentamentos.

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