BRASÍLIA - Responsável por auxiliar o governo do Distrito Federal em ações de cunho estratégico, a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) financiou a campanha eleitoral e o governo de transição de José Roberto Arruda. Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que, ao longo de três anos, entre pagamentos de pessoal e a montagem de um estúdio em área nobre de Brasília, a empresa pública desembolsou R$ 57,7 milhões.

Segundo o inquérito da PF, o envolvimento da Codeplan na campanha do então deputado Arruda começou, em 2002, com apoio do então governador eleito Joaquim Roriz. De acordo com o secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, que na época presidia a empresa, Arruda o procurou para integrar sua campanha eleitoral.

Para mostrar que contava com o apoio de Roriz, Arruda ligou da Codeplan, na presença de Barbosa, para o governador eleito. Segundo o secretário - autor das gravações que culminaram na Operação Caixa de Pandora da PF -, Arruda solicitou a relação de contratos da Codeplan e acionou sua assessoria para avisar a fornecedores e prestadores de serviço que passaria a ter influência na empresa.

A ideia de Arruda, segundo o inquérito, era conseguir apoio e dinheiro para a campanha eleitoral. Ainda de acordo com o ex-presidente da Codeplan, o processo se repetiu em outros órgãos, como a Companhia Energética de Brasília, o Metrô e o Banco de Brasília.

De acordo com o inquérito, a maior parte do financiamento foi gasto no período pré-eleitoral e durante a eleição: entre 2004 e setembro de 2006, a Codeplan custeou R$ 56,5 milhões. Só com despesas para montar uma sede em estúdio no Lago Sul, foram R$ 6,9 milhões.

A construção de estúdios de gravação completos, por exemplo, custaram a Codeplan R$ 560 mil. Já a produção de programas e comerciais de TV para governador e vice saíram por R$ 2,9 milhões. Com a recuperação da cozinha, o custo foi de 35 mil e com serviços de telefonia, de R$ 75 mil.

Já a despesa com o comitê de campanha na 502 Sul saiu por R$ 12,7 milhões, sendo R$ 5,8 milhões referentes a pagamento de pessoal e R$ 6,9 milhões para "inteligência". Com pintura e recuperação de paredes do primeiro andar da edificação, o gasto foi de R$ 15 mil. O dinheiro da empresa pública foi usado ainda para comprar móveis (R$ 40 mil) e equipamentos de informática (R$ 35 mil). O site de campanha de Arruda custou R$ 90 mil.

A Codeplan também financiou parte do governo de transição de Arruda: entre outubro e dezembro de 2006, a empresa custeou R$ 1,23 milhão, segundo a investigação da PF.

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