Por Fernando Exman RECIFE (Reuters) - As equipes de resgate não encontraram nenhum corpo nesta quarta-feira nas buscas pelo Airbus que fazia o voo AF 447 devido ao mau tempo e, com a possibilidade de recuperar mais corpos reduzindo-se a cada dia, Marinha e Aeronáutica sinalizaram pela primeira vez uma data para o fim da operação.

"Essa área, já dentro da área de (controle de) Dacar (Senegal), é a área de maior probabilidade (de se encontrar corpos). Ela, no entanto, estava com condições meteorológicas não-adequadas, por isso nós desviamos as aeronaves para outros pontos e não foi feito nenhum avistamento de corpos", disse a jornalistas no Recife o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica.

Questionado sobre até quando devem ser mantidos os trabalhos de buscas pelos corpos, o brigadeiro respondeu: "vai depender do número de corpos achados, da possibilidade e das correntes (marítimas)".

"A nossa ideia inicial é de que, pelo menos até o dia 19, ainda haverá possibilidade de continuarmos a busca em distâncias que são aceitáveis para as aeronaves e para os barcos", acrescentou.

Os primeiros 16 corpos resgatados deixaram Fernando de Noronha por volta das 20h e estavam a caminho do Recife, onde os trabalhos de identificação serão feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) da capital pernambucana com o acompanhamento de um perito francês. Os exames de DNA, quando houver necessidade, serão realizados no laboratório da PF em Brasília.

Até o momento, as equipes de busca de Brasil e França já resgataram 41 corpos de ocupantes do voo da Air France que caiu no Atlântico quando fazia a rota Rio de Janeiro-Paris com 228 pessoas a bordo no dia 31 de maio.

A Força Aérea e a Marinha disseram que 25 corpos resgatados do mar pela fragata brasileira Bosísio estavam a caminho de Fernando de Noronha, para onde foram levados na terça-feira os 16 primeiros corpos encontrados.

SUBMARINO: BUSCA POR CAIXAS-PRETAS

O Ministério da Defesa francês informou nesta quarta-feira que quatro embarcações da Marinha do país participam das operações de busca, incluindo o submarino nuclear Émeraude, que já começou a procurar as caixas-pretas do Airbus A330.

Se as peças forem localizadas, submarinos-robôs não-tripulados a bordo do navio de exploração e pesquisa francês Pourquoi Pas, que também está ajudando nas buscas, poderão ser usados para resgatar as caixas-pretas.

Também participam da operação a fragata Ventose, com um helicóptero a bordo e que já resgatou alguns corpos do mar, e o navio Mistral. A França tem também três aviões envolvidos, totalizando 400 militares franceses.

Segundo a Marinha brasileira, há ainda dois rebocadores de alto-mar que foram contratados pelo governo francês para auxiliar. Uma fonte envolvida nos trabalhos de buscas do Brasil disse que os rebocadores carregam 40 toneladas, incluindo equipamentos norte-americanos, com o objetivo de ajudar a encontrar a caixa-preta do Airbus.

Do lado brasileiro, são 12 aeronaves e cinco navios.

A partir do dia 19, as operações de busca receberão o reforço do Navio de Desembarque Docas Rio de Janeiro, da Marinha do Brasil, que conta com compartimentos frigoríficos e capacidade para armazenar até 100 corpos.

As causas do acidente permanecem sem explicação. Segundo investigadores, uma falha nos sensores de velocidade pode ter tido participação preponderante na tragédia, mas outras hipóteses não são descartadas.

Nesta quarta-feira um porta-voz da Airbus negou reportagem do jornal francês Le Figaro, que afirmou que a empresa considerava a suspensão das operações da frota de aviões A330 e A340.

"Não estamos considerando a suspensão da frota porque é segura para operar", disse à Reuters o porta-voz da Airbus, Stefan Schaffrath.

Os destroços do avião recolhidos do mar serão repassados à França, responsável pela investigação do acidente.

(Reportagem adicional de Gerard Bon em Paris e Bruno Domingos em Fernando de Noronha; Texto de Eduardo Simões)

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