Clássicos são destaques nos palcos em Londres

Entra ano, sai ano, e a tradição britânica se mantém. Londres continua sendo a meca dos fãs de teatro de todo o mundo.

Agência Estado |

Com crise ou sem crise, o exército de produtores, atores, diretores e público de teatro londrino pode comemorar na semana passada uma ótima fase durante a festa do 55º Evening Standard Theatre Awards 2009, prêmio organizado pelo jornal Evening Standard. A premiação destacou remontagens de obras clássicas, como "Um Bonde Chamado Desejo", "Esperando Godot" e "Othello". Mas, ao mesmo tempo, ousou premiar como ‘Novo Nome do Ano’ o ator negro Lenny Henry, de 25 anos de carreira. Mais ousada ainda foi a escolha de "Enron" (sobre a escandalosa falência da corporação norte-americana) como melhor espetáculo.

Mas de que serve falar da premiação nos palcos ingleses para um leitor brasileiro? Seja no lendário Shakespeare Globe Theatre ou no ousado Old Vic (cujo diretor é ninguém menos que Kevin Spacey), uma temporada de férias peregrinando pelos teatros londrinos é ótima pedida no fim do ano. Ainda há como garimpar ingressos para muitos dos espetáculos premiados. Uma dica, é conferir o que está disponível no site www. londontheatreboxoffice.net.

O massivo investimento nos tradicionais musicais confirmou a procura pelo ‘certo e seguro’ em 2009. Uma avalanche de adaptações de sucessos do cinema (como "Dirty Dancing", "We Will Rock You", "Billy Elliot", "Priscilla" e "Sister Act, The Shawshank Redemption") foi a certeza de casa lotada. Seja dos turistas internacionais seja dos ingleses que viajam à capital para passar o fim de semana. Nesta categoria, quem levou a melhor foi "Hello, Dolly!" Ainda que inspirado no sucesso de 1969, a versão para os palcos ingleses conseguiu trazer leveza e frescor a um clássico do gênero, encenado a céu aberto, nos gramados do Regent’s Park.

"Enron", inspirado no documentário dirigido por Alex Gibney, sobre o escândalo das fraudes envolvendo a mega corporação norte-americana, foi capaz de surpreender com um texto perspicaz, números de vaudeville e números musicais dignos da Broadway. A vivacidade de "Enron" provou que é possível falar de crise econômica sem cair no tédio e na pura análise de números e fatos.

Um prêmio especial para Sir Ian McKellen selou o compromisso com os grandes talentos ingleses. "Vi ótimas coisas neste ano. The Power of Yes, de Robert Dare, por exemplo, foi surpreendente", declarou ele, que levou milhares de fãs para se deliciarem com o genial "Esperando Godot" no lendário Haymarket Theatre. Quem tiver a oportunidade deve comprar já os ingressos para a última chance de conferir esta lenda ao vivo. "Esperando Godot" volta em cartaz em 21 de janeiro. Mas a temporada será curta, apenas 11 semanas.

Quem não agradou mesmo foi a ‘celebridade da vez’ Anna Friel no papel de Bonequinha de Luxo do ano. Dirigida por Sean Mathias, Friel teve de encarar a pressão de competir com a eterna figura de Audrey Hepburn. A imprensa especializada não poupou críticas à performance cheesy (um tanto brega e carregada) de Holly Golightly. Friel não se deixou abater e compareceu à festa do Evening Standard. Quem ganhou, mas não apareceu para buscar o prêmio foi a diva Rachel Weiz. Sua performance trouxe novos ares ao papel imortalizado por Vivian Leigh no cinema. E houve ainda "Jerusalem", premiado pelo texto original de Jez Butterworth, e melhor ator, para Mark Rylance. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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