Cirurgias de endometriose e próstata são realizadas com robôs

Cirurgias de endometriose e próstata são realizadas com robôs Por Adriana Bifulco São Paulo, 19 (AE) - Há três meses algumas cirurgias de próstata e endometriose (doença caracterizada pela presença de endométrio - camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação - fora da cavidade uterina em órgãos como trompas, ovários, intestino, aparelho urinário e, em casos mais raros, até no pulmão) vem sendo realizadas na capital paulista com o auxílio do robô Da Vinci. É a segunda geração de robôs que entra no País e torna mais seguras e precisas as intervenções realizadas por laparoscopia (com pequeninos orifícios no abdômen).

Agência Estado |

A primeira geração foi o braço cirúrgico Aesop, que começou a ser divulgado no Brasil a partir de 1993. Mas ele é usado apenas como auxiliar na movimentação da câmera laparoscópica. Já o Da Vinci possibilita movimentos cinco vezes mais precisos, segundo especialistas.

"Ele tem quatro braços. Um deles segura uma câmera de alta definição e nós operamos olhando para essa imagem. Os outros três carregam instrumentos cirúrgicos. O Da Vinci movimenta esses instrumentos em cavidades de 1 cm ou 1,2 cm e é possível criar escalas durante a operação", comemora Paulo Chapchap, superintendente de Desenvolvimento do Hospital Sírio Libanês.

Cássio Andreoni, urologista do Hospital Israelita Albert Einstein e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também fala das vantagens da realização das operações de próstata com o Da Vinci. "O robô permite ao cirurgião maior amplitude de movimentos e uma visibilidade muito melhor do que em uma laparoscopia. O paciente também tem vantagens: há a preservação de nervos, tecidos, da musculatura que mantém a continência urinária e não há alteração da potência sexual. Enfim, o robô possibilita uma cirurgia melhor", garante.

Isso não significa, no entanto, que as intervenções robóticas irão substituir radicalmente as convencionais. "Operações mais simples não precisam de laparoscopia e a intervenção tradicional não vai acabar. As cirurgias com robô não podem ser realizadas em pacientes que têm múltiplas cirurgias abdominais, problemas cardíacos e pulmonares graves ou próstata muito grande", avisa Andreoni.

No momento, a falta de profissionais especializados em videolaparoscopia e o alto custo do procedimento ainda são desvantagens. "O hospital interessado deve fazer um alto investimento para poder proporcionar esse tipo de intervenção. Mas enquanto em uma cirurgia aberta de próstata o paciente fica internado quatro, cinco dias, após a cirurgia realizada com o robô ele pode ter alta no dia seguinte. Isso implica em menos diárias, menos remédios e menos exames para o hospital. O tempo de realização da operação também é menor", salienta Andreoni.

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