Cirurgião plástico dirige novo filme de Renato Aragão

Seu caso é raro, muito provavelmente único, no cinema mundial - ou você acredita que exista outro dublê de cineasta e cirurgião plástico? Aos 43 anos, formado há mais de 20, o Dr. Marcus Figueiredo já perdeu a conta das cirurgias que fez, desde sua clínica particular até os hospitais públicos, do Estado e do município, em que trabalhou no Rio de Janeiro.

Agência Estado |

Mais fácil, para o cirurgião, é contabilizar sua filmografia. Ele fez perto de 150 documentários na Globo, dois filmes como assistente de direção e três como realizador - os cinco com Renato Aragão, o Didi. Estréia hoje o 47º filme do trapalhão.

O Guerreiro Didi e a Ninja Lili atende a uma pesquisa feita com espectadores (e fãs) de Renato Aragão. O que eles gostariam de ver Didi fazer? Uma parcela muito expressiva respondeu - 'uma aventura de artes marciais'. Atendendo ao pedido de seu público, Didi desenvolveu a idéia do novo filme. Antes mesmo que fosse filmada a primeira cena, a data de estréia já havia sido escolhida - hoje -, para evitar a concorrência direta com os blockbusters de Hollywood. Didi é um guerreiro e, desta vez, conta com a ajuda da filha, a ninja Lili, mas não é fácil enfrentar Indiana Jones , Hulk , Super-Homem e Batman , todos os super-heróis dos blockbusters desta temporada.

Didi já está acostumado à guerra. "É preciso matar um leão por dia", quando se faz cinema, ele gosta de dizer. O Guerreiro Didi e a Ninja Lili tem a cara do cinema do trapalhão, mas ela foi repaginada pelo dr. Marcus. As pessoas podem até achar que é a mesma fórmula de sempre, mas para Marcus Figueiredo os filmes são diferentes em tudo. "O público de Didi espera determinadas coisas, que tratamos de oferecer, mas a paleta de cores, o conceito estético, tudo muda, de filme para filme."

Dr. Marcus teve uma típica trajetória de garoto de classe média baixa. Os pais esforçaram-se para que o irmão e ele tivessem uma formação sólida, estudando primeiro na rede pública e, depois, com bolsa, em escolas particulares. Ele era atraído pela área biomédica e foi fazer medicina, com especialização em cirurgia plástica. Pai de uma filha de 24 anos - formada em Direito pela USP -, ele nunca havia pensado no cinema como alternativa profissional, mas em 1996 algo se passou.

Marcus começou a questionar-se se queria continuar fazendo cirurgias - reparadoras e estéticas - pelo resto da vida. Foi na época em que O Quatrilho foi indicado para o Oscar, criando verdadeira euforia em relação ao cinema brasileiro. As leis de patrocínio, o reconhecimento externo, tudo indicava que o cinema voltava a ser viável na chamada "Retomada'" Dr. Marcus resolveu investir numa carreira cinematográfica. Na cara e na coragem, vendeu o carro e foi estudar cinema na Ucla. Fez um curso de extensão durante dois anos. De volta ao Brasil, ele retomou a clínica e hoje alterna as duas atividades.

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