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Ciro quer intimidade com SP ao mudar título eleitoral

SÃO PAULO (Reuters) - O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) justificou nesta sexta-feira a transferência de domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo pela necessidade de adquirir intimidade com o Estado, intenção que ele diz concretizar em três meses. Ele reafirmou sua disposição de disputar a Presidência da República e disse que militantes petistas também participaram da decisão de seu partido de mudar o local do título de eleitor.

Reuters |

Ciro, que cresceu nas pesquisas de intenção de voto para presidente, vinha resistindo à mudança de seu domicílio eleitoral, mas acabou convencido pelo partido. "Nem era minha vontade", reconheceu o deputado.

A alteração deixa uma porta aberta para uma candidatura ao governo do Estado de São Paulo, desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que até agora não conta com a anuência dos pré-candidatos petistas.

"São Paulo é o maior Estado brasileiro, e para ser candidato a presidente da República, tem que ter intimidade com a expressão que São Paulo tem na economia, na cultura no movimento acadêmico e no de trabalhadores", afirmou Ciro a jornalistas. Nas duas outras vezes em que disputou a sucessão (1998 e 2002) Ciro não colocou esta ideia em prática.

Ele compareceu à segunda zona eleitoral, no bairro da Água Branca, na capital paulista, onde efetuou seu registro eleitoral.

"De maneira que o partido achou que era conveniente tomar esta intimidade com São Paulo."

Ciro afirmou que tem residência na alameda Barros, mas não pretende passar o fim de semana na capital paulista. Ele chegou à zona eleitoral vindo de Fortaleza, para onde retornou imediatamente após o registro.

Ao ser questionado sobre uma possível candidatura paulista, o parlamentar reagiu afirmando que o PSB trabalha com a opção de lançar o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que se filiou ao partido na quarta-feira. Ciro enfatizou que, assim que a legenda tomou a decisão da transferência, telefonou a Skaf para comunicá-lo.

Uma eventual candidatura em São Paulo cria problemas para o atual governador José Serra (PSDB). Pré-candidato ao Palácio do Planalto, Serra não quer que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil, PT), possível adversária em 2010, tenha um palanque forte no Estado, responsável por 22,3 por cento do eleitorado brasileiro. O nome de Ciro, nacionalmente conhecido, também incomoda a sucessão de Serra no Estado.

"Eu venho para ajudar. Reafirmo minha candidatura a presidente da República, porém agora, com a legitimidade formal de, sendo domiciliado em São Paulo, ajudar também a construir a agenda de São Paulo", declarou.

O PT recebeu com preocupação a decisão de Ciro, uma vez que o partido tem pelo menos cinco pré-candidatos ao governo paulista.

"O PSB tem autonomia para tomar decisões. Se quisesse encerrar o assunto, poderia ter simplesmente dito que não transferiria o domicílio e deixar já a porta fechada. Ciro a deixou aberta e precisamos dialogar sobre como transitar essa discussão democraticamente dentro do PT", disse o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, em evento do partido.

A legenda agendou reunião ampliada da Executiva estadual na próxima segunda-feira para debater a estratégia pós-Ciro.

Mesmo se dizendo parceiro do PT, Ciro não deixou de criticar a legenda. "Um dos maiores erros do PT talvez seja essa visão religiosa, às vezes quase paroquial, de que o petismo é mais importante do que o Brasil, do que a ética, do que o desenvolvimento, do que o respeito ao adversário. Pagaram caro por esses erros".

Ciro, de 51 anos, nasceu em Pindamonhangaba (SP) e foi criado e fez carreira política em Sobral (CE).

(Reportagem de Carmen Munari)

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