Ciro pressiona e PSB marca debate sobre candidatura para dia 27

Por Carmen Munari SÃO PAULO (Reuters) - Funcionou. Depois que Ciro Gomes (PSB-CE) pressionou publicamente seu partido em um ultimato divulgado em artigo, o PSB marcou para 27 de abril reunião da executiva em Brasília para debater a candidatura à Presidência da República liderada pelo deputado.

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O debate sobre a candidatura é assunto único da reunião, em que devem comparecer os 18 integrantes da executiva.

"Vamos trabalhar para que a reunião seja o mais conclusiva possível", disse à Reuters o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, nesta sexta-feira.

Ciro pegou pesado no artigo intitulado "A História Acabou?". Em uma das principais farpas questionou duramente a atuação do partido. "O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil? Vai se decidir isto agora", afirmou.

O deputado adiantou que vai cumprir a determinação do PSB, apesar de até agora não "entender o que quer de mim o meu partido".

A repercussão das declarações foi negativa na legenda. "Bateu mal", disse um integrante, para quem as acusações não fortaleceram a posição daqueles que defendem a candidatura própria.

Já Roberto Amaral diz que entende a ansiedade de Ciro, mas acredita que cada partido tem seu tempo. Ele acusa PSDB e PT de terem anunciado com muita antecedência seus candidatos, José Serra e Dilma Rousseff. "Não temos que seguir o tempo deles."

Uma das análises que pesam na decisão da candidatura Ciro é seu poder De influenciar a eleição de Dilma. Como legenda aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a incerteza é se Ciro competiria com Dilma ou retiraria votos de Serra.

Amaral rechaça esse raciocínio. "Não queremos candidatura para firmar posição e sim para disputar. Se tira voto ou não isso não é problema do PSB", afirmou.

É voz corrente que o PSB recebe a pressão do presidente Lula e do PT para retirar Ciro da disputa. Um dos argumentos é o bom desempenho de Dilma e Ciro no Nordeste.

Há outros ingredientes que não escapam à analise. As alianças nos Estados, por exemplo. O PSB tem o apoio do PT no Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte e apóia os petistas em pelo menos outros sete Estados. Esse compromisso com o PT dificulta o lançamento de Ciro.

O tempo de TV também deve ser exíguo, de pouco mais de 2 minutos, na hipótese quase certeira de que a candidatura do deputado não encontre siglas aliadas. Com pouca TV e pouca exposição, a entrada de recursos financeiros também deve ser restrita.

Na mais recente pesquisa Datafolha, Ciro, que já concorreu duas vezes à eleição presidencial, tinha 11 por cento de intenção de voto, índice similar às duas sondagens anteriores do instituto. Neste cenário, a diferença entre Serra e Dilma é de nove pontos; sem Ciro, sobe dentro da margem de erro para 10 pontos.

(Reportagem de Carmen Munari; Edição de Maria Pia Palermo)

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