SÃO PAULO (Reuters) - Caprichando no apelo nordestino, o deputado federal cearense Ciro Gomes (PSB), cotado para disputar o governo paulista, fez campanha nesta quinta-feira junto a cerca de mil metalúrgicos filiados à Força Sindical. Ele reiterou que sua candidatura em São Paulo é especulação, mas admitiu que está pensando na opção, ainda sem prazo para uma definição. Aqui não tem nordestino? Duvido, brincou Ciro no primeiro dos três discursos que fez no Congresso dos Metalúrgicos da Força Sindical.

Usando o boné da Força Sindical, Ciro fez questão de usar palavras como gerimum (abóbora) e intensificar o sotaque em termos populares como "ma o meno" (mais ou menos), numa nítida tendência de unir os sotaques paulista e nordestino.

Coube ao presidente da central, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), apresentar Ciro à plateia, tentando unir o passado paulista ao nordestino do colega.

"Você fez sua carreira no Nordeste, mas saiu de Pindamonhangaba e fez vida no Ceará", disse Paulinho, citando a cidade paulista onde Ciro, ex-governador do Ceará, nasceu.

Paulinho, um dos apoiadores da candidatura de Ciro em São Paulo ao lado do também deputado Márcio França, presidente do PSB-SP, perguntou a um dos auditórios a que cargo Ciro deveria se candidatar. "A presidente", gritou a maioria.

O metalúrgico Eduardo Santos, trabalhador da Bekun, discorda. "Para ser candidato a presidente teria que ter uma relação maior com o povo brasileiro, que ele não tem. Aqui em São Paulo a gente (metalúrgicos) faria o trabalho de divulgação", disse.

"Isto está no plano rigoroso da especulação. Não se sabe se será um fato ou se vai se esmaecer em especulação", reagiu Ciro na entrevista sobre a possibilidade de se candidatar em São Paulo.

Questionado se sua candidatura teria a vantagem de ser uma novidade no Estado, disse que "dizem que sim, estou pensando", mas adiantou que vai levar algum tempo para se decidir, porque a alternativa estava fora de seus planos. Até agora, Ciro pretendia disputar a sucessão presidencial.

O deputado considera legítima a reação contrária de integrantes do PT paulista, que tem pelo menos seis postulantes ao posto de candidato. "O PT faz muito bem, porque senão não seria o PT."

Após a saída de Ciro, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do PT, esteve no Congresso dos Metalúrgicos e disse que é legítima a iniciativa de Ciro.

"Entendo que o PSB tem todo o direito de apresentar um nome ao PT, assim como o PT tem o direito de apresentar seus nomes ao PSB. E juntos vamos encontrar uma solução", disse Mercadante, ele próprio pré-candidato do PT ao governo paulista.

(Reportagem de Carmen Munari)

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