Ciro diz que tentaria unir PT e PSDB para governar

Crítico da aliança PT-PMDB, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), pré-candidato à Presidência da República, disse nesta segunda que não desprezaria coligações e que um eventual governo seu seria baseado em alianças de ideias com PT e o PSDB.

Agência Estado |

"Para governar é preciso aliança, mas uma coisa é aliança para governar e outra é para ganhar eleição. A questão é para que a aliança e em que bases", disse, após participar de um evento com auditores fiscais em São Paulo.


Ciro comparou as coligações à escalação da Seleção Brasileira. "Não se compõe a seleção aceitando lobby de cartola nem bairrismo de torcida. Você procura dar autonomia para o técnico colocar os melhores. Eu sei que os melhores estão no PT e no PSDB", defendeu. Ele diz ter credenciais para colocar os dois partidos rivais do mesmo lado. "Fiz isso em Belo Horizonte. Na Bahia, todo o coronelismo foi suplantado por uma coalizão PT-PSDB. No Ceará temos um avanço extraordinário. Isso está se replicando no Brasil", argumentou. Como de costume, o deputado não mostrou simpatia pelo PMDB. "Dou um Fusca zero para quem me disser uma ideia do PMDB nos últimos 15 anos."

O parlamentar confia que o fato de o PSB ser um partido médio, sem a força política dos grandes, não é fator que poderia impedir uma eventual união suprapartidária. "Se esse argumento fosse levado ao pé da letra, o Lula não seria presidente da República. O PT era menor que o PSB até 2002. Mesmo hoje, vamos disputar o governo em 11 Estados, o PT só em 10." Ciro disse ainda contar com o equilíbrio da cobertura da imprensa para contrabalançar o pouco tempo que teria na TV, apesar de ter criticado a mídia dizendo que a "imprensa gosta de coisa menor".

Congresso

O deputado reiterou que não sairá candidato ao Congresso caso seu partido vete sua indicação para concorrer à Presidência da República e que, nesse caso, vai sair da política por algum tempo. No evento dos auditores fiscais realizado em São Paulo, o parlamentar fez duras críticas à atual legislatura, mas disse que a maioria no Congresso "é decente". "Seguramente não serei candidato a deputado, é uma questão é pessoal. A maioria é decente. O problema é essa minoria ativa que a coalizão PT-PMDB impôs ao Congresso. Azar meu, foi essa legislatura que me coube."

No discurso e na entrevista após o evento, o deputado se mostrou firme em sua convicção de ser candidato a Presidência e brincou com os repórteres: "vocês estão falando com o futuro presidente do Brasil". Ciro voltou a dizer que não tem conversa marcada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar de eleições. Depois de fazer críticas ao PT paulista, a ideia de lançá-lo candidato ao governo de São Paulo parece ter sido abortada pelos petistas.

Na palestra para os auditores, o deputado ensaiou um discurso de candidato presidencial e defendeu uma agenda "holística" de governo, que chama de projeto nacional de desenvolvimento. "Há uma hiperfragmentação de agenda e falta de projeto com começo, meio e fim. Esse projeto tem muitas tarefas. Por exemplo: o Brasil tem de se livrar da ilusão de que vai financiar o desenvolvimento com dinheiro de fora. Nenhum país se desenvolveu sem investimento e poupança locais", defendeu.

Nas palavras do parlamentar, o País está se desenvolvendo "a esmo". "É impossível o País resolver essas questões fora de um projeto estratégico, que não existe. Culpa minha, do Lula, do (governador de São Paulo) José Serra, do Fernando Henrique Cardoso, do País, mas nada que não possamos resolver."

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