Ciro defende mais peso da União na Petrobras

BRASÍLIA (Reuters) - Pré-candidato à Presidência da República, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) defendeu nesta terça-feira o aumento da participação da União no capital acionário da Petrobras. Ele lembrou que, atualmente, grande parte das ações da empresa está em mãos do mercado, inclusive de investidores estrangeiros.

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Segundo Ciro, que apoia o monopólio da União no setor e o modelo de partilha, os privilégios da Petrobras em debate na proposta do novo marco regulatório do setor deveriam ser assegurados por meio de uma emenda constitucional.

"Com todo o respeito à participação dos acionistas minoritários, é um imperativo nosso evoluir para uma empresa estatal de petróleo que exercite o monopólio", afirmou Ciro durante audiência pública da comissão especial da Câmara que analisa o projeto de lei do novo modelo do setor para partilha, da qual também participou o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli.

Para o parlamentar, o Brasil deve enfrentar o grande debate mundial do setor: se o petróleo ficará com o Estado ou com "as sete irmãs, o oligopólio internacional". Ele se referiu às sete principais empresas petrolíferas que controlaram o mercado na década de 1960. Atualmente, essas empresas ou foram incorporadas por outras ou ainda estão na ativa, como Shell e Texaco, mas já não possuem a maioria das reservas de petróleo, atuando no entanto fortemente no refino e distribuição.

Ciro criticou o que chamou de "injustiça com a população": "A partir da ideia de que a Petrobras tem uma governança privatista, deu-se à Petrobras a possibilidade de descolar seus preços dos seus custos de produção".

O deputado também se mostrou otimista com o potencial das reservas de petróleo localizadas na camada pré-sal.

"Temos petróleo sem limites: 150 bilhões, 200 bilhões de barris é o que eu estimo", disse, sorrindo.

Na última semana, Ciro transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo para também ter a possibilidade de disputar o governo paulista. A mudança foi uma sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que escolheu a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para disputar sua sucessão.

Em entrevista a jornalistas, Gabrielli rebateu as críticas de Ciro sobre o preço cobrado pelo combustível vendido no mercado nacional. "Em nenhum lugar do mundo o preço do combustível é baseado no custo."

(Por Fernando Exman)

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