BELO HORIZONTE (Reuters)- Horas depois de assistir ao lado do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à partida entre Cruzeiro e Estudiantes pela final da Copa Libertadores, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), voltou a flertar, nesta quinta-feira, com um dos maiores inimigos do paulista, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Após encontro na residência oficial do governo mineiro, Ciro condicionou a possibilidade de sair candidato a presidente em 2010 à indicação tucana para o pleito, disputada por Aécio e Serra. Um deles disputará com a ministra Dilma Rousseff (PT).

"O governador Aécio sendo candidato a presidente da República descomprime gravemente a necessidade estratégica de eu apresentar uma candidatura", afirmou Ciro a jornalistas.

"Não quer dizer que, eventualmente, eu não tenha que ser (candidato), porque isso dirá o meu partido. Mas as necessidades, as minhas angústias com relação ao futuro do país eu fico feliz, porque acho que o país estará em seguras, tranqüilas e boas mãos", emendou Ciro, que já disputou a Presidência em 1998 e 2002.

Nesta quinta-feira, o parlamentar voltou a direcionar sua artilharia contra Serra. "Conheço os métodos do governador. Ele não enfrenta os adversários com a linguagem natural do antagonismo político. Ele trata os adversários como inimigos a serem destruídos", disparou.

Em março, também após encontro com Aécio, o deputado chegou a dizer que o governador mineiro seria "esmagado" pelo colega paulista.

"O Aécio está pronto, na minha opinião, para servir ao país em qualquer lugar, inclusive como presidente", concluiu o deputado.

Ciro, que nesta quinta-feira afirmou que está pensando apenas na candidatura à Presidência, vem admitindo que analisa disputar a eleição para o governo de São Paulo, o que incomodaria Serra e agradaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem apoiando Ciro nos bastidores para a disputa paulista. O PSB é a da base aliada de Lula, mas está junto com Aécio em Minas e com Serra em São Paulo.

Aécio preferiu se mostrar próximo de Ciro em qualquer cenário para 2020. "Acho que o jogo de 2010 ainda não está todo jogado. Não estão claras ainda quais as construções que ocorrerão. Não vejo a possibilidade de, amanhã, um projeto onde eu possa ter um papel de maior destaque, o Ciro não esteja junto, ou um projeto que o Ciro esteja capitaneando eu não esteja junto", disse Aécio.

(Reportagem de Marcelo Portela; Edição de Carmen Munari)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.