Cinesul homenageia Olney e Torre-Nilsson no Rio

O 30º aniversário da morte dos cineastas Olney São Paulo e do argentino Leopoldo Torre-Nilsson será lembrado pelo Cinesul, que começa hoje, no Rio. Um dos mais importantes eventos dedicados à integração do cinema continental no País, o Cinesul 2008 ocorre em cinco locais espalhados pela cidade, mostrando 80 filmes em competição e 160 em seções paralelas.

Agência Estado |

Durante 12 dias, até 29, o carioca poderá se atualizar com as novas tendências do cinema ibero-americano, por meio de curtas e longas, documentários e ficções. São filmes da Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Espanha, México, Portugal e Venezuela. O Rio cinematográfico vai falar espanhol - e castelhano - até o fim da próxima semana. Todas as exibições serão grátis.

Leonardo Gavina, que criou o evento em parceria com Ângela José, segue na coordenação. Ângela morreu no ano passado, mas sua presença é permanente. Ela é citada in memoriam no catálogo de 2008. "O Cinesul cresceu muito nestes 15 anos", Gavina avalia. "Começou pequeno, como um encontro. Virou festival do Mercosul, depois latino-americano e agora ibero-americano, pois a Espanha, principalmente, é uma grande parceira do cinema latino."

O Cinesul deste ano abrigará dois grandes eventos paralelos, o 1º Seminário e Fórum de Documentário Latino-Americano, que culminará com a redação da Carta do Rio de Documentaristas Latinos, e o encontro "A Música e a Imagem no Cinema", reunindo dois consagrados compositores, o brasileiro David Tygel e o argentino José Luís Castiñera de Dios.

Ao saber que Manuel de Falla , de De Dios, sobre o compositor da Andaluzia que se exilou na Argentina, após a Guerra Civil Espanhola, era o filme de abertura, Tygel, admirador de ambos, não sossegou enquanto o Cinesul não promoveu o encontro, que ocorre no dia 23. De Dios e ele vão falar de música e filmes. Expor seus métodos de composição, mostrar cenas.

Diretores homenageados

Há quatro anos, o Cinesul já recuperara Manhã Cinzenta , filme de Olney São Paulo que ficou escondido por décadas. Olney era o objeto preferido de estudo de Ângela José, que dedicou um livro - A Peleja do Cinema Sertanejo - ao diretor, que foi calado pela ditadura e esquecido. Olney ganha agora uma retrospectiva, como Leopoldo Torre-Nilsson.

A do cineasta argentino foi oferecida pelo Incaa (Instituto Nacional de Cinema Argentino). Não é completa. Privilegia alguns títulos. Torre-Nilsson, filho de cineasta - Leopoldo Torres Rios -, nunca foi uma unanimidade. Como Walter Hugo, no Brasil, ele muitas vezes foi acusado de fazer um cinema de segunda mão. Primeiro, influenciado por seu compatriota Jorge Luis Borges e, depois, a partir de 1957, trabalhando quase exclusivamente sobre roteiros (e/ou originais) de sua mulher, a romancista Beatriz Guido, ele desenvolveu um cinema claustrofóbico, impregnado de referências literárias e vanguardistas, ao mesmo tempo mórbido e onírico.

Acesse a programação completa no site oficial

Leia mais sobre: cinema

    Leia tudo sobre: cinema

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG