Cinesesc faz prévia da Mostra de Cinema de São Paulo

SÃO PAULO - No final deste mês, começa mais uma edição da Mostra de Cinema de São Paulo. Para fazer uma espécie de aquecimento para o festival, o Cinesesc inicia nesta sexta uma retrospectiva de alguns filmes exibidos em edições anteriores do evento, que este ano completa 33 anos.

Redação |

Serão exibidos, por exemplo, filmes como o sueco "Vocês, os Vivos", de Roy Andersson, e o francês "Canções de Amor", de Christophe Honoré. A retrospectiva começa nesta sexta e vai até o próximo dia 20. O Cinesesc fica na Rua Augusta, 2075, nos Jardins. Veja abaixo a programação e a sinopse dos filmes:

Programação

Sexta 09
15h Vitus
17h Taurus

Sábado 10
15h Inútil
17h Histórias de Cozinha

Domingo 11
15h Horas de Verão
17h Eu, Você e Todos Nós

Segunda 12
15h Teorema
17h Você, Os Vivos
19h Canções de Amor
21h Short Bus

Terça 13
15h O Sol
17h Desonra
19h Violência em Família
21h Import Export

Quarta 14
15h Desonra
17h Horas de Verão
19h Vitus
21h Taurus

Quinta 15
15h Violência Em Família
17h Teorema
19h Inútil
21h Histórias de Cozinha

Sexta 16
15h Você, Os Vivos
17h Eu, Você e Todos Nós
19h Horas de Verão
21h Short Bus

Sábado 17
15h Inútil
17h O Sol
19h Vitus
21h Import Export

Domingo 18
15h Violência em Família
17h Canções de Amor
19h Taurus
21h Teorema

Segunda 19
15h Histórias de Cozinha
17h O Sol
19h Você, Os Vivos
21h Impor Export

Terça 20
15h Desonra
17h Canções de Amor
19h Short Bus
21h Eu, Você e Todos Nós

Sinopses

Vitus (2006) Suíça. Diretor Fredi M. Murer. Vitus é um garoto superdotado, que parece vindo de outro planeta. Ele tem o ouvido apurado de um morcego, toca piano como um virtuoso e estuda enciclopédias desde os cinco anos de idade. Seus pais antecipam um futuro brilhante para ele. Esperam que ele se torne um exímio pianista. Mas o pequeno gênio prefere brincar com seu excêntrico avô na oficina dele, construindo planadores. Ao fazer um vôo numa das engenhocas, um dramático salto dará a Vitus o controle de sua própria vida. Vitus é o filme indicado pela Suíça para concorrer ao Oscar 2007

Taurus (2001) Rússia. Diretor Aleksandr Sokúrov. Segundo filme da tetralogia que se detém sobre as personalidades mais poderosas do século 20 (o primeiro foi Moloch, sobre o romance de Hitler e Eva Braun), Taurus está centrado nos derradeiros momentos de Lênin, seu isolamento, suas questões existenciais e sua perplexidade diante do fim. O líder russo que mudou o curso da história e abalou o mundo aguarda a morte em uma casa cedida pelo Estado, solitário, vigiado, rodeado de pessoas estranhas, tralhas domésticas e desordem, um lugar que mais parece um museu. Seu corpo está impotente, sua consciência aos poucos vai se apagando, mas sua sede de luta e poder não o abandona. A seu lado, apenas sua mulher. Ao longe, ouvem-se os passos de seu sucessor, que aguarda sua morte. A tragédia que posteriormente tomaria conta da Rússia e os acontecimentos que levaram a esta situação-limite não estão entre as preocupações deste filme, avisa o diretor. Em primeiro plano está o autor, compositor e regente desta catástrofe, em um dos mais dramáticos momentos de sua vida.

Shortbus (2006) EUA. Diretor John Cameron Mitchell. Vários jovens de Nova York encontram-se num salão infame e underground chamado Shortbus, onde se deparam com situações cômicas e trágicas envolvendo amor, música, política e sexo. Sofia é a terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo e por isto fingiu durante anos para seu marido, Rob. Ela conhece Severin, uma dominatrix que tenta ajudá-la. Entre os clientes de Sofia está o casal gay James e Jamie, que começa uma relação aberta com Ceth. O filme sugere uma forma de diminuir a pressão pós-ataques terroristas de 2001 e assim reconciliar melhor as pessoas. A trilha sonora leva a assinatura do roqueiro ascendente Michael Hill e do consagrado grupo de indie rock de vanguarda Yo La Tengo, de Nova Jersey.

Histórias de Cozinha (2003) Noruega/Suécia. Diretor Bent Hamer. Comédia sobre os anos 50 e os dilemas da modernidade que queriam dar aos homens do pós-guerra o melhor dos futuros. O esforço reproduzido no filme é comovente, inquietante e hilariante. Vamos acompanhar os estudos desenvolvidos por um instituto de pesquisa sueco para criar a cozinha ideal, mais prática, econômica e agradável. O órgão envia uma legião de técnicos para a Noruega, a bordo de trailers moderníssimos. No país vizinho, eles testam protótipos de design revolucionário e observam os hábitos de homens solteiros na cozinha. Folke, um dos técnicos, acampa na fazenda de Isak, um velho fazendeiro, que não parece muito disposto a cooperar com o estudo. As situações absurdas se sucedem, mas os dois vão aprender a se conhecer melhor e se tornarão amigos. Uma das comédias mais premiadas desde a sua exibição em Cannes 2003, onde foi eleito o melhor da seleção Quinzena dos Realizadores.

Horas de Verão (2008) França. Diretor Olivier Assayas. As distintas trajetórias de dois irmãos e uma irmã de quarenta e poucos anos se chocam quando sua mãe que preservava a obra de seu tio, o excepcional pintor do século XIX Paul Berthier , morre repentinamente. Os filhos são levados ao confronto de suas diferenças. Adrienne, uma bem sucedida designer em Nova York; Frédéric, economista e professor universitário em Paris; e Jérémie, um dinâmico empresário que vive na China, são apresentados às texturas e lembranças do final da infância, às memórias partilhadas, criando uma visão única do futuro.

Teorema (1968) Itália. Diretor Pier Paolo Pasolini. Em Milão, na primavera de 1968, um carteiro com o significativo nome de Ângelo entrega uma carta na villade um industrial anunciando a chegada, no dia seguinte, de um hóspede desconhecido. O rapaz (Terence Stamp) não apresenta nenhuma qualidade particular e passa a maior parte do tempo lendo um livro de Rimbaud. Esta postura estranha, alheia a tudo e a todos, no entanto, atrai um a um todos os moradores da casa. A primeira é a empregada Emília (Laura Betti) que, com medo de não poder possuí-lo, tenta se matar. Mas ele a salva e faz amor com ela. Em seguida vem Piero, que, com o hóspede, descobre sua diversidade sexual. Os próximos serão Lucia, a esposa e dona da casa; Odetta, estudante introvertida e amante da autoridade paterna; e por fim o próprio pai, representante maior da burguesia que detém os meios de produção na sociedade. E a visita, assim como veio, partiu, chamada de volta pelo mesmo carteiro que anunciou sua chegada. Privados do amor daquele estranho, todos os membros da família percorrerão seus caminhos individualistas. A empregada Emília é a única que enxerga a natureza sagrada do hóspede. Ela então retorna ao povoado onde nasceu e ali espera que a visita se repita.

Eu, Você e Todos Nós (2005) EUA. Diretor Miranda July. A solitária artista Christine usa seus projetos artísticos como forma de aproximação com as pessoas ao seu redor. O vendedor de calçados Richard, recém-separado, pai de dois meninos, está à procura de um relacionamento novo e surpreendente. No entanto, entra em pânico quando conhece a cativante Christine. Seus dois filhos, de 7 e 14 anos, parecem ter mais jogo de cintura. Apesar da pouca idade, já estão envolvidos com problemas do amor. Especialmente o mais velho, que está sendo assediado por duas colegas de classe que querem saber tudo sobre sexo.

O Sol (2005) Rússia. Diretor Aleksandr Sokúrov. Em 15 de agosto de 1945, os japoneses ouvem pela primeira vez em suas vidas a voz de seu imperador, que exorta seu exército e seu povo a pôr fim às hostilidades. Isso permite aos norte-americanos desembarcar nas ilhas japonesas sem encontrar resistência. O pedido do imperador ajuda a salvar muitas vidas, mas os vencedores exigem que Hirohito compareça diante de um tribunal de guerra. O general McArthur, comandante das tropas americanas no Pacífico sul, desaconselha o presidente Franklin Roosevelt a converter Hirohito num criminoso de guerra. O filme é o terceiro de uma tetralogia sobre homens de poder, que começou como Moloch (1999, seleção da 23ª Mostra), sobre Adolf Hitler, e teve seqüência em Taurus (2001, 26ª Mostra), onde é focalizado o líder da Revolução Russa, Vladimir Lênin.

Violência em Família (2006) Austrália. Diretor Paul Goldman. É possível sair impune de um assassinato? É isto exatamente o que está planejando Katrina, uma mãe solteira de 19 anos. Ela vive num mundo de pequenos crimes, sexo fácil, carros envenenados e manicures. Mestra em manipular os homens, Katrina mora com seu pai e sua filha num bairro do subúrbio. Nada a impedirá de alcançar o que quer, nem mesmo matar. Quando seu pai ameaça contatar a assistência social para lhe tirar a custódia da filha, Katrina dá início a um plano que chocará toda a comunidade e tornará seu nome ainda mais infame do que ela sequer poderia supor. A trilha sonora é assinada por Mick Harvey, integrante da finada banda Crime & The City Solution, que acompanhou Nick Cave nos anos 80.

Import Export (2007) Áustria. Diretor Ulrich Seidl. É inverno e as pessoas estão congelando. É assim na Ucrânia. O leste parece o oeste, o oeste parece o leste. Nessa atmosfera, duas histórias emergem de forma que, num primeiro relance, não parece relacioná-las. Uma história é de importação: começa na Ucrânia e vai até a Áustria. A outra é de exportação: começa na Áustria e termina na Ucrânia. A primeira apresenta Olga, uma jovem enfermeira e mãe. Ela quer mais da vida, quer sair da cidade, sair do país. Decide ir para a Áustria. Nesse país estrangeiro, encontra trabalho e então o perde. Começa como governanta e termina como faxineira num hospital geriátrico. A outra história é sobre Paul, um jovem austríaco. Ele finalmente consegue um emprego como segurança, mas é demitido quase que imediatamente. Seu padrasto leva-o à Ucrânia para trabalhar na instalação de máquinas de apostas. Import Export lida com sexo e morte, viver e morrer, vencedores e perdedores, poder e impotência, e é sobre como limpar profissionalmente os dentes de uma raposa empalhada.

Inútil (2007) China. Diretor Jia Zhang-ke. Três retratos sobre vestuário baseados em pessoas que fazem as roupas e pessoas que as vestem. Um dia quente e úmido em Cantão (Guangzhou). Imersas no barulho tonitruante das máquinas de costura, mulheres trabalham em silêncio numa confecção, sob lâmpadas fluorescentes. As peças ali produzidas serão vendidas para clientes desconhecidos. Do mesmo modo, o futuro de cada trabalhadora na linha de produção é obscuro. Um dia de inverno em Paris. A estilista chinesa Ma Ke prepara num evento espetacular o lançamento de sua nova marca Wu Yong (Inútil). Criadora anti-fashion, ela abomina a linha de montagem. O diferencial em sua linha de roupas é o procedimento de enterrá-las para permitir que a natureza e o tempo dêem o toque final em seu trabalho. Um dia poeirento na região das minas de Fenyang. A pequena loja de um alfaiate atende sua habitual clientela de mineiros, que precisam de reparos em suas roupas e aproveitam para ter animadas conversas. O filme ganhou o Prêmio Horizontes de melhor documentário no festival de Veneza 2007.

Canções de Amor (2007) França. Diretor Christophe Honoré. As origens de Canções de Amor remetem a um material musical pré-existente: as canções escritas por Alex Beaupain. Os personagens começam a cantar assim que se apaixonam, porque são incapazes de expressar paixão de outra forma. Os cenários, como os apartamentos dos pais, retornam como um coro, com um tom diferente de acordo com o que foi cantado previamente. E assim como numa música, em que certos instrumentos retornam ou desaparecem enquanto outros são adicionados, os personagens secundários dão um ímpeto refrescante à história enquanto outros são eliminados dela. Ismaël perambula sem direção, mas a despeito de tudo continua caminhando. Erwann apressa um pouco seu passo. Já Jeanne é condenada à imobilidade: ela lembra um ponto fixo, pois a tragédia a congela. E Alice anda ao lado de Ismaël, mas ela resolve se afastar do seu caminho para seguir outra história, agora com um rapaz bretão que acaba de conhecer.

Desonra (2005) Japão. Diretor Masahiro Kobayashi. Baseada em fatos reais, a produção aborda a recepção hostil que reféns japoneses no Iraque tiveram ao voltarem a seu país após a libertação, ocorrida em abril de 2004. Acompanha-se o martírio e desespero de Yuko, uma ex-refém que a sua comunidade condena e rejeita. Seu retorno à terra natal se transforma num verdadeiro calvário. A sensação que tem é de que toda a sociedade está contra ela. É insultada nas ruas, recebe telefonemas anônimos e é agredida, inclusive fisicamente. Demitida do trabalho, sua solidão só faz aumentar e chega à beira do desespero. Diante dessa situação, Yuko cogita sua volta para o Iraque

Vocês, os Vivos (2007) Suécia. Diretor Roy Andersson. Composto por 57 vinhetas filmadas com a câmera estática, Vocês, os Vivos é um filme sobre o ser humano, sobre suas conquistas e misérias, sua alegria e seu sofrimento, sua autoconfiança e ansiedade. Personagens que trazem em comum um aspecto solitário, mesmo quando estão cercados por outras pessoas. Um ser humano de quem se quer rir e também chorar por ele, ou ela. É simplesmente uma trágica comédia ou uma cômica tragédia sobre nós mesmos. A narrativa se passa em Estocolmo e serve universalmente para qualquer lugar ou época.

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