Cinema americano leva o Leão de Ouro de Veneza com a história de um boxeador

O cinema americano foi o grande vencedor neste sábado da 65ª edição do Festival de Veneza com o filme The wrestler, de Darren Aronofsky, um retrato marcante do ocaso de um boxeador, protagonizado de maneira espetacular por Mickey Rourke.

AFP |

O filme de Aronofsky, 39 anos e considerado um dos diretores mais rebuscados e intelectuais do cinema americano, conta a clássica história de um herói que se nega a aceitar que chegou a hora de se aposentar, pois está velho e vencido.

"Este prêmio eu dedico aos boxeadores de luta lire, que, para nos entreter, perdem o corpo e a alma. Agradeço a Mickey Rourke também por ter dado sua alma e seu talento a este filme", declarou Aronofsky depois de receber o Leão de Ouro.

O protagonista de filmes polêmicos como "Nove semanas e meia de amor", Rourke pulou do estrelato para o completo ostracismo nos anos 90 e volta ao cinema com um papel forte e marcante.

"Eu podia ter voltado com outros diretores, mas prefiro filmes íntegros, nos quais eu possa botar meu 'colhões' em jogo", declarou o ator, ao lado de Aronofsky.

Rourke, que na vida real foi boxeador profissional entre 1991 e 1995, o que o obrigou a passar por várias cirurgias plásticas, desta vez vive Randy 'The Ram' Robinson, um lutador de luta livre, uma modalidade muito apreciada pelo público americano.

O filme, de produção independente, convenceu o júri de um festival em que não foram muitas as surpresas.

"Era preciso mudar o regulamento. Alguns membros do júri ficam com o coração partido", declarou o presidente do júri, o cineasta alemão Win Wenders, explicando que os jurados queriam pode dar vários prêmios para um único filme.

Com uma trilha sonora magnífica, marcada pelo rock dos Guns N'Roses dos anos 80, o filme foi aplaudido pela crítica, particularmente severa durante esta edição em relação aos filmes selecionados.

Aronofsky, que competiu em 2006 em Veneza com o criticado "A fonte da vida", se consagra assim com um drama humano.

Representante de um estilo totalmente oposto é o vencedor do Leão de Prata de melhor direção, o russo Aleksei German Junior, por seu filme "Soldados de papel", sobre o início da conquista dos espaço pelos russos.

O filme, também premiado pela fotografia, relata o momento em que a Rússia começa a se modernizar depois da morte de Stalin e começa os preparativos para a corrida espacial.

O diretor, de 32 anos, filho de um dos diretores de cinema russos mais conhecidos e intransigentes, não figurava entre os favoritos ao prêmio.

Com um veredicto salomônico, o júri concedeu ao mestre do cinema africano, Haile Gerima, o prêmiio especial por seu engajado filme sobre a história da Etiópia.

Rodado na áfrica e Alemanha, "Teza" relata, com imagens poéticas e, ao mesmo tempo, realistas, as convulsões políticas dos anos 70 e 80 sofridas pela Etiópia sob o regime marxista de Mengistu Haile Mariam (1974-1991).

O cineasta e escritor africano de 62 anos, que reside e trabalha como professor universitário nos Estados Unidos, também recebeu o prêmio de melhor roteiro.

A "Copa Volpi" de melhor interpretação feminina e masculina foi atribuído à atriz francesa Dominique Blanc e ao ator italiano Silvio Orlando.

Blanc, protagonista de "A outra", dirigido pelos franceses Patrick Mario Bernard e Pierre Trividic, interpreta uma mulher madura em plena crise de nervos após romper uma relação amorosa com um jovem emigrante.

A idéia de uma outra mulher se torna uma obsessão para a protagonista, e o lento caminho para a loucura é simbolizado pela atriz com longas contemplações em frente a um espelho e uma martelada na cabeça.

O ator italiano foi premiado por sua atuação em "O pai de Giovanna", de Pupi Avati, uma história ambientada em pleno regime fascista e na que interpreta um pai empenhado em defender e proteger a qualquer preço sua filha adolescente após ter assassinado uma companheira de escola por ciúmes.

Orlando, de 51 anos, que começou sua carreira no teatro napolitano, é o símbolo do cinema de autor italiano contemporâneo e trabalhou diversas vezes para o diretor Nanni Moretti.

Conhecido por suas atuações sóbrias e medidas, em 2006 protagonizou o filme "O caimã", de Moretti, uma paródia do magnata da comunicação e atual primeiro-ministro conservador, Silvio Berlusconi, que causou muita polêmica na Itália.

"Encontrei gente fantástica na vida, entre eles Nanni Moretti", disse com a voz embargada ao receber o prêmio.

O júri também quis homenagear com um prêmio especial a carreira do diretor alemão Werner Schroeter, que apresentou "Nuit de chien".

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