Há quatro semanas ele estava em coma em um hospital do Cairo, capital do Egito, em decorrência de uma hemorragia cerebral. Ontem, Youssef Chahine morreu, aos 82 anos.

Considerado o mais importante diretor do mundo árabe, o cineasta egípcio era cultuado principalmente na França, onde o presidente Nicolas Sarkozy divulgou um comunicado destacando que Chahine foi "um defensor fervoroso da liberdade de expressão". Em 1997, o diretor havia recebido um prêmio especial pelo filme O Destino , no Festival de Cannes. Também na Croisette, integrou o seleto grupo de autores convidados a dar "a lição de cinema".

Diretor há quase 60 anos, Chahine estreou em 1950 com Baba Amine . Cinco anos mais tarde, em Sira Fi Mina , lançou um jovem ator que faria sensação, no começo dos anos 60, no épico Lawrence da Arábia , de David Lean - Omar Sharif. Era admirador de Federico Fellini, mas possuía um estilo bem distante do barroquismo que caracterizava seu colega italiano - era simples e direto, o que não impedia que seus filmes recorressem a elementos como melodrama e números musicais, muito fortes na produção egípcia.

Em filmes como sua biografia de Nasser e Adieu, Bonaparte, sobre a incursão de Napoleão pelo Egito, Chahine ganhou fama de radical, provocando polêmica por sua visão negativa do Ocidente. Embora favorável a Nasser, nunca foi um cineasta 'oficial'. Sua obra é toda ela uma denúncia da opressão e da censura. Seus filmes sobre a condição feminina na sociedade egípcia abordam o tema da sexualidade com uma franqueza que irritava as autoridades religiosas. Elas também invocaram o Corão para pedir a proibição de O Emigrante , em 1994. O filme sobre o profeta José foi considerado blasfemo por dar um rosto ao religioso. A polêmica prosseguiu nos últimos anos, quando Chahine virou crítico do extremismo islâmico em ascensão no país. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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