Cineasta dos EUA faz romance em perfil de Lula

Como faz em seus documentários, Michael Moore recorre à ficção para descrever na "Time" a trajetória do presidente

iG São Paulo |

Alguns críticos de cinema costumam definir o cinesta Michael Moore como criativo. Não apenas porque recorra a uma forma original de contar uma história verdadeira. Mas porque não se acanha em recorrer à ficção sempre que os fatos não ajudam a confirmar as teses defendidas em seus documentários.

O estilo "criativo" de Moore pode ser conferido no filme "Tiros em Columbine", "Fahrenheit 11 de setembro" e em "Capitalismo, uma história de amor. E pode ser conferido uma vez mais na edição da revista Time que está nas bancas, no texto que fez sobre o presidente Lula, incluído na relação dos 100 mais influentes do mundo, segundo escolha livre dos jornalistas da revista.

Como forma de inovar a apresentação dos textos, a publicação decidir convidar personalidades para tratar dos escolhidos. A Moore coube falar de Lula.

Em diversos momentos, Moore aproveita a oportunidade dada pela revista "Time" para fazer propaganda ideológica. Segundo Moore, quando Lula foi eleito pela primeira vez, em 2002, “os barões usurpadores” do Brasil foram “verificar os medidores de combustível de seus jatinhos”. Por quê? "Eles haviam transformado o Brasil em um dos locais mais desiguais da Terra" e interpretaram a eleição de Lula como a “hora da vingança”.

O cineasta termina o texto fazendo um novo paralelo entre Lula e os EUA. Segundo ele, o que Lula quer para o Brasil “é o que costumávamos chamar de American Dream (sonho americano)”. “Nós, nos Estados Unidos, onde os 1% mais ricos têm mais riquezas do que os 95% mais pobres somados, estamos vivendo em uma sociedade que está rapidamente ficando parecida com o Brasil”, completa.

Além da propaganda, Moore investiu na ficção, como se a história verdadeira do presidente Lula, fabulosa e única, já não fosse suficiente para fascinar o leitor americano. A altura tantas, Moore replica uma passagem do livro "Lula, o Filho do Brasil", de Denise Paraná, difundida no filme homônimo do cineasta Fábio Barreto.

Segundo esta passagem, o fator determinante para a carreira política do líder brasileiro aconteceu aos 25 anos, quando testemunhou a morte de sua primeira mulher durante a gestação de um filho, porque “não podia pagar assistência médica decente”. É como se, num estalo, diante de uma tragédia de cunho pessoal, Lula tivesse sido tomado por uma força maior que o impulsionou em direção à política. O processo que o conduziu à política e ao Palácio do Planalto não guarda relação de causa e efeito com esta desgraça pessoal.

No perfil, Moore também se atrapalha com os nomes dos projetos governamentais brasileiros, provocando a desinformação. Por exemplo, atribui ao "Fome Zero" virtudes que são do Bolsa Família. Oficialmente, o Fome Zero não morreu e serve apenas para ações de combate à fome. É o Bolsa Família, principal projeto social do governo, que distribui um valor em dinheiro para praticamente um quarto das famílias brasileiras.

No trecho mais curioso do texto, depois de se referir à morte da primeira mulher do presidente, Moore manda o que considera um recado aos ricos. "Aqui há uma lição para os bilionários do mundo: Deixem as pessoas terem boa assistência à saúde, e elas não lhes causarão muitos problemas." Com esse discurso anti-capitalista e antiamericano, Moore já amealhou uma fortuna superior a 100 milhões de dólares no mercado capitalista americano e mundial.

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