Cineasta brasileiro Fernando Meirelles abre hoje 61º Festival de Cannes

Alicia García de Francisco Cannes (França), 14 mai (EFE) - O cineasta brasileiro Fernando Meirelles vai abrir hoje a 61ª edição do Festival de Cannes com o filme Blindness, uma adaptação de Ensaio sobre a cegueira, obra do escritor português José Saramago. Meirelles, acompanhado por boa parte dos protagonistas do filme - Julianne Moore, Gael García Bernal, Alice Braga, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Don McKellar (também roteirista) e Danny Glover, com a única ausência de Mark Ruffalo -, reconheceu em entrevista coletiva que não considera seu filme o melhor para abrir um festival. A produção que abre o Festival de Cannes é um exemplo de que a torre de Babel existe e funciona. O único segredo para encaixar todas essas pessoas foi a química entre todos, explicou Meirelles, que afirmou não ter ocorrido nenhum problema durante a gravação. Foi realmente suave.

EFE |

Este vai ser meu modelo de trabalho para sempre".

Baseado no romance "Ensaio sobre a cegueira", do Prêmio Nobel de Literatura de 1998, José Saramago, "Blindness" abrirá oficialmente esta noite o Festival de Cannes e mostrará uma história muito mais explícita e menos sutil do que o texto original.

Gravado em inglês e japonês, a maior parte do filme foi rodada em São Paulo para não mostrar um perfil de cidade reconhecível.

Trata-se de uma produção que mostra até onde o ser humano pode chegar em situações extremas, algo que não é nenhuma novidade, pois já explorado em outros filmes.

Apesar do bom planejamento, montagem e atuação, o filme tem uma trilha sonora pouco adequada, uma história mais previsível do que deveria e um roteiro que parece buscar uma justificativa moral para as ações dos personagens.

O ponto de partida original da história é o de um homem (Yusuke Iseya) que repentinamente perde a visão, problema que se torna uma epidemia e leva as autoridades a confinarem todos os doentes em um hospital abandonado.

No entanto, a originalidade do grande romance de Saramago não é explorada por Meirelles, que fez um filme inspirado na estética de "Filhos da esperança", de Alfonso Cuarón, e que também lembra "Babel", de Alejandro González Iñárritu, com sua mistura de nacionalidades, raças e idiomas.

Com uma estética futurista-catastrofista, fruto de um bom trabalho de ambientação, "Blindness" explora o pior do ser humano, mas sempre deixando um grande resquício de esperança.

Em 1998, Meirelles havia tentado, sem sucesso, conseguir os direitos do romance. "Na época, Saramago negou dizendo que o cinema destrói a imaginação", contou o diretor.

O filme destaca as múltiplas leituras da história: psicológica, pois mostra o primitivo do ser humano e sua tendência ao estabelecido, e filosófico-política, pelo dilema entre ser ético e ser forte.

Julianne Moore, a única que não perde a visão no filme, disse que pensou muito na idéia de responsabilidade ao construir sua personagem.

"Para mim, era muito importante fazer com que a personagem atravessasse a linha que diferencia a responsabilidade da irresponsabilidade", disse a atriz.

Para o restante do elenco, a principal dificuldade foi interpretar personagens cegos.

"Ir ao mundo da cegueira foi incrivelmente libertador e aterrorizante", explicou García Bernal, que confessou ter ficado "aterrorizado" no começo das gravações.

Foi o mesmo teor das declarações de Yusuke Iseya, Yoshino Kimura (que interpreta sua mulher) e da brasileira Alice Braga (no papel de uma prostituta), que destacaram a dificuldade em fazer papéis de cegos "vendo, mas não vendo".

Já McKellar, que além de ser o roteirista desempenha um papel secundário, declarou que se trata de "um filme sobre a dignidade" e sobre como preservá-la.

"Blindness", que abrirá esta noite os desfiles no tapete vermelho para o Palácio dos Festivais de Cannes, é o primeiro dos 22 filmes na competição oficial desta edição. EFE agf/wr/plc

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