Cinco casas são interditadas após explosão em Santo André

SANTO ANDRÉ - Cinco casas foram interditadas pela Defesa Civil após a explosão que atingiu 30 residências em Santo André, no ABC paulista, na tarde de quinta-feira. Uma casa está condenada e será demolida, de acordo com a Defesa Civil. Outras 21 residências foram liberadas e os moradores poderão retornar ao longo desta tarde. A explosão, que ocorreu em uma loja que comercializava fogos de artifício, deixou dois mortos, 12 feridos e destruiu completamente outras três moradias.

Redação com agências |

Os peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil iniciaram, por volta das 9h20 desta sexta-feira, a vistoria do local . Por volta das 10h30, o trabalho no epicentro havia sido finalizado. Até o início da tarde desta sexta-feira, a polícia ainda periciava o entorno da explosão.


Local da explosão de uma loja de fogos de artifício em Santo André / AE

Após o trabalho dos investigadores no epicentro, agentes da Defesa Civil realizaram a análise das residências atingidas pelo acidente. Até esta manhã, as 30 casas atingidas haviam sido desocupadas por medida de segurança.

Autorização para venda

O proprietário do estabelecimento, Sandro Luiz Castellani, considerado não localizado, tinha autorização da Polícia Civil para vender os artefatos, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Apesar da autorização da polícia, que valia até janeiro de 2010, a loja de Sandro Luiz Castellani não tinha alvará de funcionamento da Prefeitura de Santo André. A polícia investiga se houve negligência por parte dos donos da loja.

De acordo com a prefeitura, no dia 23 de junho, o órgão comunicou ao interessado que este precisava apresentar um novo Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento necessário para conseguir o alvará de funcionamento, tendo em vista que o vencimento deste foi em 16 de junho.

Segundo a SSP, os bombeiros deram atestado de vistoria a Castellani em 12 de julho de 2009, mas, como o dono da loja não teria apresentado o novo AVCB, o pedido para a venda de fogos de artifício foi negado pela prefeitura no último dia 14, sendo comunicado ao solicitante no último dia 16.

"Enviamos dois comunicados solicitando o laudo dos bombeiros. A loja
tinha alvará para comércio, mas para fogos, não", disse o secretario de Habitação, Frederico Muraru Filho. "A cidade é grande. Por isso, damos prioridade na fiscalização de onde há denúncia, e que eu saiba, não houve denúncia neste local".

De acordo com o delegado-titular do 3º Distrito Policial de Santo André, Alberto José Mesquita Alves, as diligências para tentar localizar Castellani e sua mulher continuam. Eles não podem ser considerados foragidos pois ainda não há mandado de prisão expedido.

A explosão

A explosão aconteceu minutos antes de os bombeiros serem acionados, às 12h45. O Comandante dos Bombeiros do Estado de São Paulo, Luis Alberto Navarro, afirmou que no estabelecimento havia muita pólvora e que a partir do centro da explosão, duas quadras foram atingidas.

O Corpo de Bombeiros cercou quatro quarteirões em torno da rua em que aconteceu o acidente - rua Américo Guazzelli, próxima ao Estádio Bruno José Daniel. 

Cerca de 70 agentes da Guarda Municipal de Santo André trabalharam no local do acidente junto com outros 35 profissionais da Defesa Civil, 30 do Serviço de Saneamento Ambiental, além de 12 viaturas do Samu, 20 agentes de trânsito e cães farejadores.

Morreram no acidente Ana Maria de Oliveira Martins, de 58 anos,   empregada da família de Sandro Luiz Castellani, dono do local, e o primo de Sandro, Denian Castellani, de 41 anos. Outras 12 pessoas ficaram feridas. O corpo de Ana Maria foi enterrado nesta sexta-feira, no Cemitério da Vila Curuçá, em Santo André, localizado na rua Coreia.

" Parecia o fim do mundo"

Sônia, de 55 anos, que mora a cerca de 600 metros do local, contou ter ouvido "uma explosão atrás da outra". "Ouvi um barulho muito forte, olhei pela janela e vi fogo. Parecia o fim do mundo", afirmou ela, que, assustada, se escondeu atrás da parede do corredor de sua casa. "A redondeza está horrível, tem gente correndo, chorando", afirmou.

Uma internauta do Último Segundo , que mora em Santo André, a aproximadamente sete quilômetros do local, disse que ouviu o barulho de casa. Pensamos que tinha caído um avião. Foi um barulho muito forte , disse Raquel.

Outro leitor disse que "o cheiro de pólvora era muito forte" e mandou fotos da fumaça .

O guarda municipal Antônio Scaramel afirmou que sua irmã, dona de uma corretora de seguros localizada na esquina da rua Américo Guazzelli, relatou que o barulho foi assustador. "Pensei que fosse um avião que tivesse caído", disse.

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