Cildo Meireles é premiado na Espanha em reconhecimento a sua carreira

MADRI ¿ O artista brasileiro Cildo Meireles recebeu hoje em Madri o Prêmio Velázquez de Artes Plásticas, um reconhecimento de sua carreira artística por parte do Ministério de Cultura da Espanha.

EFE |

Meireles, que recebeu seu prêmio das mãos do rei Juan Carlos em uma cerimônia realizado na sala Las Meninas do Museu do Prado, disse que compartilha a "magnífica honra" de receber o prêmio com todos aqueles que ao longo de sua vida contribuíram para que ele estivesse lá.

O artista, de 59 anos, lembrou a importância de aos 13 anos ter recebido de presente do seu pai um livro com imagens das obras de Francisco de Goya que, segundo Meireles, abriu "um horizonte".

Na cerimônia de entrega do Prêmio, que teve a presença do ministro da Cultura César Antonio Molina, o rei Juan Carlos afirmou que a arte de Meireles "expressa perguntas que sacodem nossas consciências" e reinterpreta alguns dos parâmetros da arte ocidental através de "um ponto de vista crítico".

O monarca afirmou que a "destacada" contribuição de Meireles ao desenvolvimento das artes contemporâneas e a sua difusão e promoção ajudaram para que ele recebesse o prêmio. "Um artista sólido e figura de grande importância que, desde suas origens, influiu no mundo inteiro", disse o rei.

Meireles, que fez seu discurso de agradecimento em português, disse ser uma "grande felicidade e uma imensa honra" receber um prêmio "que não precisa de adjetivos".

O ministro Molina se referiu a Meireles como um dos artistas "medulares" no panorama da arte contemporânea, uma voz lúcida por sua linguagem e seu compromisso artístico e social, autor de obras "marcadas pela liberdade de formas e da imaginação" e pelo rigor arquitetônico e a solidez de seu conteúdo ideológico.

Cildo Meireles, que teve a maior exposição de suas obras feita em um instituto da Espanha em 1995, é desenhista e escultor, pioneiro na arte da instalação desde a década de 60.

Em sua sétima edição, o prêmio Velázquez foi de 90.450 euros (US$ 142 mil), mas a partir do próximo ano passará a ser de 125 mil euros (US$ 196.500).

O prêmio reconhece o conjunto da obra de um criador espanhol ou da comunidade ibero-americana de nações, e desde que foi concedido pela primeira vez, em 2002, foi entregue aos artistas espanhóis Ramón Gaya, Antoni Tapies, Pablo Palazuelo, Antonio López e Luis Gordillo e ao mexicano Juan Soriano.

O Prêmio Velázquez inclui uma exposição no Museu Rainha Sofía, que, no caso de Meireles, será organizado em função dos compromissos do artista e da disponibilidade do museu.

O ministro da Cultura espanhol anunciou hoje que os estatutos do Prêmio serão modificados a partir de 2009 para aumentar os membros designados pelos profissionais, críticos e diretores de museus, e permitir que candidatos portugueses possam fazer parte.

O júri do Prêmio Velázquez terá um caráter "marcadamente profissional", com a incorporação de personalidades e especialistas do mundo da arte, para garantir a partir do ano que vem sua "completa autonomia", disse o ministro.

Segundo Molina, o prêmio poderá contar com candidatos da Espanha e dos Estados americanos da comunidade ibero-americana, além de Portugal, para "encorajar e reconhecer" assim "os laços que unem" todos esses países.

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