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Cientistas descobrem que obeso sente menos prazer ao comer

Os números crescentes da obesidade comprovam que uma solução para o problema do sobrepeso não é uma simples questão de fechar a boca ou gastar mais do que se consome. Centenas de trabalhos científicos têm revelado que, além dos muitos fatores culturais ligados ao sedentarismo e ao consumo de alimentos gordurosos, a obesidade é também um fenômeno biológico complexo e multifatorial, em que as papilas gustativas são apenas uma peça no quebra-cabeça.

Agência Estado |

Na sexta-feira, um estudo confirmou que obesos sentem menos prazer ao comer do que pessoas de peso normal, por isso comem mais.

O metabolismo é afetado por fatores que vão desde a carga genética até a eficiência energética de mitocôndrias e a biodiversidade de micróbios na flora intestinal. Há os “magros de ruim”, que podem comer pizza toda semana sem engordar uma grama, e os gordinhos inescapáveis, que acumulam gordura só de olhar para um brigadeiro.

Em um experimento hipotético, centenas de pessoas poderiam comer exatamente a mesma coisa, praticar a mesma quantidade de exercícios e, ainda assim, engordar ou emagrecer de maneiras completamente diferentes. “Eu diria que a variabilidade entre os extremos seria de 100%”, avalia Bruno Geloneze, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas e vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). O que faz a diferença, nesse caso, é a genética. Segundo Geloneze, mais de cem genes relacionados à obesidade já foram identificados, e espera-se que muitos outros sejam descobertos.

Satisfação

Em um estudo publicado na sexta-feira na revista Science, cientistas mostraram como os circuitos de prazer do cérebro reagem ao estímulo de um milk-shake de chocolate descendo pela garganta. Do ponto de vista comportamental, seria de se esperar que pessoas obesas comessem mais porque sentem mais prazer com isso. Mas é o contrário. Os resultados confirmam a hipótese de que obesos sentem menos prazer por gole ou garfada do que pessoas de peso normal. Conseqüentemente, tendem a beber mais e comer mais para saciar suas vontades.

A diferença tem a ver com a quantidade de dopamina que é processada no cérebro durante a refeição. Os pesquisadores utilizaram ressonância magnética funcional para observar o cérebro de mulheres em tempo real, no momento em que tomavam o milk-shake. Perceberam que algumas tinham uma reação neuroquímica menos prazerosa, em especial as portadoras de uma característica genética que reduz o número de receptores de dopamina. Previram que elas seriam as que engordariam mais com o tempo, e foi isso que ocorreu.

Herton Escobar

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