Cientistas anunciam mapeamento genético do bovino

Após seis anos de estudos, um consórcio de 305 pesquisadores de 25 países, entre eles o Brasil, publica nesta sexta-feira na revista norte-americana Science o mapeamento genético do bovino. Uma das principais conclusões é que a maioria dos cromossomos dos cerca de 22 mil genes do bovino corresponde aos cromossomos humanos.

Redação com Agência Estado |

Além dessa semelhança, os pesquisadores apontam que os resultados práticos da pesquisa podem beneficiar o aumento da produção de carne e leite, bem como melhorar a qualidade dos derivados do boi.

"O genoma descrito pelo consórcio é o primeiro para um animal doméstico de grande importância econômica, inclusive para a economia brasileira e paulista. Os resultados terão grande aplicabilidade para a produção mais sustentável de carne e de leite, porque facilitam a compreensão da fisiologia dos bovinos e tornar mais eficaz o melhoramento dos sistemas de produção animal", explica a professora Isabel Kinney Ferreira de Miranda Santos, orientadora no curso de pós-graduação em Imunologia Básica e Aplicada da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP), uma das integrantes do consórcio de cientistas.

Além de descrever o genoma do boi e cararcteriza a ordenação dos genes, a pesquisa adicionou às sequências informação sobre a função biológica das proteínas que esses genes codificam, o que, na prática, apontará como foi a evolução dos bovinos e suas características biológicas.

De acordo com os pesquisadores da FMRP/USP, a ciência já sabia que os homens e os bovinos divergiram de um ancestral comum, que viveu há 95 milhões de anos. Apesar do longo período de evolução, bovinos e humanos ainda conservam um grau alto de similaridade, como apontado no mapeamento genético, muito maior, por exemplo, que entre o homem e o camundongo. O camundongo é amplamente empregado pela pesquisa biomédica.

Segundo a pesquisadora Isabel Santos, da FMRP/USP, foi no sistema imune que o consórcio encontrou as principais diferenças entre o genoma bovino e os genomas do camundongo e humano. "Exemplos de genes que mostram variações e rearranjos significativos em relação ao ser humano e ao camundongo incluem os que codificam peptídeos antimicrobianos, que matam ou inibem bactérias; mudanças nos números de genes que codificam os interferons, proteínas que ativam a imunidade e, ainda, mudanças nos números e organização de genes envolvidos na imunidade inata, que é nossa primeira linha de defesa", exemplificou a pesquisadora.

Ainda de acordo com ela, os resultados da pesquisa, além dos impactos diretos em estudos de biologia evolutiva e na melhoria da produção, também auxiliam nos estudos da fisiologia da lactação, da digestão e do metabolismo. Os dados podem explicar, por exemplo, a capacidade singular dos ruminantes de transformar, de modo muito eficiente, forrageiras de baixa qualidade nutricional em carne e leite de alto valor energético.

Além da USP, participaram do sequenciamento do genoma bovino no Brasil pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis (SP) e da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF). O projeto do genoma bovino foi liderado pelos doutores Richard Gibbs e George Weinstock, diretores e pesquisadores do Baylor College of Medicine (BCM) Human Genome Sequencing Center, Texas, EUA, Steven Kappes, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Ross Tellam, do Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation CSIRO, na Austrália, e Christine Elsik da Universidade de Georgetown (EUA).

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