Cientistas alemães mapeiam genes ligados à gripe

Um grupo de cientistas alemães mapeou os genes humanos relacionados com o processo de replicação do vírus da gripe, revela pesquisa divulgada na edição mais recente da revista Nature. A descoberta abre caminho para uma nova geração de drogas antivirais que, em vez de agir nos mecanismos de reprodução do vírus, atua nas células humanas.

Agência Estado |

Isso, em tese, faria com que o medicamento continuasse eficaz apesar das mutações virais. A técnica também traz esperança de tratamento para outras infecções, como a aids.

O objetivo dos cientistas foi identificar quais genes existentes nas células do pulmão são usados pelo vírus influenza A - principal responsável pelas epidemias de gripe - para se reproduzir. Para isso, eles utilizaram uma metodologia chamada RNA de interferência, que permite silenciar genes específicos.

"Injetamos o material genético do vírus em culturas de células do pulmão e fomos silenciando um a um os mais de 22 mil genes que formam o genoma humano para descobrir quais são importantes para a replicação viral", explica Thomas Meyer, um dos autores do estudo. "Identificamos 287 genes cruciais para o processo. Desses, 168 puderam ser silenciados temporariamente sem comprometer o funcionamento das células."

Dos 168 genes, 47 estão ligados à replicação do subtipo viral H1N1 endêmico (causador da gripe espanhola de 1918), 49 ao subtipo H1N1 pandêmico (variação que causa a gripe suína) e 72 aos dois subtipos. Vários genes também se mostraram importantes para a replicação do subtipo H5N1, causador da gripe aviária e altamente patogênico. O próximo passo da pesquisa é realizar testes em modelos animais para verificar se o silenciamento temporário desses genes é, de fato, seguro para o organismo. "Pretendemos ainda estender a pesquisa para outras infecções virais", conta Meyer.

Promessa

Caso a técnica se mostre segura, será possível desenvolver novos medicamentos antivirais que atuem diretamente nos genes humanos essenciais à replicação do vírus. As drogas existentes atualmente têm como alvo o próprio vírus e se tornam obsoletas quando ocorre uma mutação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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