'Ciclovia ajuda bastante', diz usuária em Santos

Reportagem do iG percorre e avalia ciclovias e ciclofaixas de lazer de Curitiba e três cidades de São Paulo

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Fernanda Simas, iG São Paulo
Pessoas voltam para casa pela ciclovia da orla da praia, em Santos
Fim de tarde de sexta-feira, o sol está se pondo em Santos, litoral de São Paulo, e muitas pessoas voltam para casa depois de um dia de trabalho. Mas o que se vê não são centenas de carros buzinando e motoristas impacientes, mas sim dezenas de bicicletas percorrendo 21 quilômetros de ciclovias da cidade. Tati, que peferiu não ter o sobrenome divulgado, tem 25 anos, mora no Guarujá e trabalha em Santos. “Só não uso a bicicleta quando o tempo não ajuda. Vou e volto do trabalho de bicicleta. Saio 6 horas do Guarujá para vir trabalhar aqui em Santos. A ciclovia ajuda bastante.”

Ela não é a única. Depois de 15 minutos ao lado de Robson Correa Reis, fiscal de embarque da balsa em Santos, é possível notar que muitos ciclistas vão de uma cidade a outra. Reis controla o movimento de bicicletas e, sem tirar os olhos da longa fila que se forma atrás de um largo portão de ferro, mostra que existem dois acessos para a balsa no fim da tarde. Um para os veículos motorizados e o outro apenas para as bicicletas.

Fernanda Simas, iG São Paulo
Ciclistas entram na balsa, em Santos, para retornar ao Guarujá
“O movimento é intenso entre 17 horas e 20h30 [volta para o Guarujá]. Eu controlo [o fluxo] e se essa balsa não lota de biciletas aí libero para os carros”. O ciclista que realiza a travessia de balsa não paga tarifa, exceto se levar mais uma pessoa como carona. Neste caso, é preciso pagar R$ 2,10, valor referente ao que pagam os pedestres. Quem faz a travessia de carro ou moto paga R$ 8,20 e R$ 4,20, respectivamente.

Depois de percorrer as ciclovias da cidade, a reportagem do iG constata que os pontos fortes são a sinalização, a iluminação e as condições para ter um espaço sempre limpo. Cestas de lixo foram colocadas ao longo da ciclovia e ficam distantes poucos metros uma da outra. Todas as travessias de pedestres são pintadas no tom de vermelho e um totem azul mostra que ali é uma área de atenção. A iluminação, durante a noite, é feita por postes de luz branca separados por uma distância de poucos metros e os cruzamentos mais perigosos apresentam um semáforo especial para os ciclistas ou têm o chão trepidante para que eles sejam obrigados a diminuir a velocidade.

Em Campinas, no interior de São Paulo, a ciclofaixa do Taquaral foi a primeira feita na cidade, em 1991, tem cinco quilômetros de extensão e funciona diariamente. A sinalização na via é bem feita, mas mesmo com pouco movimento muitas pessoas não respeitam o espaço dos ciclistas . Placas e uma pintura em tom avermelhado no asfalto identificam que a área é exclusiva para as bicicletas, contudo alguns motoristas não têm paciência e passam “colados” na ciclofaixa, quase batendo com o retrovisor em quem está pedalando.

Além disso, algumas pessoas foram flagradas correndo na pista, mesmo tendo um espaço reservado para essa atividade ao lado da ciclofaixa. No fim da tarde, as luzes amarelas dos postes da rua acendem e tornam a visibilidade boa para quem frequenta o local. Existem espaços adequados para estacionar a bicicleta, mas faltam latas de lixo.

O administrador Otávio Gomes pedala pelo Taquaral depois do expediente e reclama do desrespeito de muitos motoristas. "Tem carro que passa buzinando sendo que esse espaço é reservado para a gente [ciclistas]."

Já em São Paulo, as ciclofaixas de uso diário estão no início de implementação e o que já funciona, aos domingos e feriados, desde agosto de 2009, é a Ciclofaixa de Lazer. Seu trajeto, além de ligar parques da cidade como o Ibirapuera e o Villa-Lobos, passa por avenidas importantes e muda o tradicional cenário de carros e fumaça que o paulistano está acostumado . A cena que ganha espaço é composta por crianças em bicicletas coloridas se divertindo com os pais.

Fernanda Simas, iG São Paulo
Ciclistas atravessam rua em São Paulo, auxiliados por agentes de trânsito
O iG percorreu alguns trechos da ciclofaixa em uma manhã de domingo ensolarada. A sinalização foi aprovada. O asfalto é pintado de vermelho no local destinado às bicicletas e agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) colocam cones para separar os ciclistas dos carros. São penduradas 63 faixas com o horário de funcionamento da ciclofaixa e semáforos especiais para as bicicletas foram instalados em alguns cruzamentos, junto como uma placa amarela informando “ciclista só atravesse no verde.”

A fiscalização também é intensa: 44 agentes de trânsito ficam em cruzamentos com placas de “pare” orientando os motoristas e impedindo que carros façam conversões proibidas. A vendedora Fabiana Silva pedala no local sempre que não precisa trabalhar na manhã de domingo e se sente segura. “Eu trago meu filho para pedalar aqui e não preciso me preocupar. Ele se diverte e acha demais estar ao lado de tanto carro”, conta.

Em Curitiba, Paraná, existem cem quilômetros de ciclovias, o que equivale a distância entre São Paulo e Campinas, por exemplo. O uso da bicicleta faz parte do cotidiano dos moradores da cidade, mas nos últimos meses eles reclamam da falta de segurança e da ausência de ligação entre as ciclovias.

A fiscalização é feita pela Ciclo Patrulha, um grupo da guarda municipal, mas o problema é que, em muitos pontos, a ciclovia é um espaço compartilhado com o pedestre. “Temos uma rede mal cuidada, sem sinalização adequada e falta de uma política que mostre que o carro tem que respeitar a bicicleta e o pedestre”, critica o professor Jorge Brand, que prefere utilizar a bicicleta sempre que possível. A prefeitura afirma que concorda com algumas das reclamações e por isso prepara mudanças no desenho das faixas.

Com Luciana Cristo, iG Paraná

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