Em Mato Grosso do Sul, milhares de pessoas tiveram de deixar as suas casas ou estão em cidades isoladas pelos alagamentos

As fortes chuvas que castigam o Estado de Mato Grosso do Sul neste mês afetaram até agora pelo menos  67 mil pessoas, de acordo com a Defesa Civil. São pessoas que perderam as suas casas porque elas corriam o risco de alagar, porque as casas foram destruídas ou porque vivem em cidades que foram isoladas pelas tempestades.

O governador André Puccinelli (PMDB) decretou situação de emergência. A medida foi anunciada no final da tarde desta quinta-feira e tem a finalidade de facilitar a obtenção de recursos para obras de reparação nos 15 municípios afetados - incluindo a capital, Campo Grande.

Além de determinar o envio de roupas e alimentos, Puccinelli autorizou o pagamento de benefícios do Vale Renda para seis municípios.. A cidade que será mais contemplada com os benefícios será Aquidauana, com 1.089 pagamentos. Ao todo, 4.199 famílias devem receber R$ 608.855, em Mato Grosso do Sul - o que dá em torno de R$ 145 por família.

Economia

Os alagamentos causados pelas chuvas também já afetam a economia do Estado. Em São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul, estima-se que 30% do total de lavouras tenham sido atingidas, o que corresponde a um prejuízo de aproximadamente R$ 70 milhões. De acordo com a prefeitura, ao menos 36 mil hectares (o equivalente a 36 mil campos de futebol) de soja foram afetados. Algumas propriedades perderam metade da produção.

Além disso, alguns pontos do município estão com o acesso totalmente comprometido, devido 
às quedas de pontes e às estradas de terra, que se tornaram atoleiros e ficaram intransitáveis.

Mato Grosso

Já em Mato Grosso, seis municípios decretaram situação de emergência. A situação mais crítica é em Colniza, localizada no extremo norte do Estado. Na cidade, por volta de nove mil pessoas de quatro distritos estão isoladas, devido às estradas de terra, que se tornaram atoleiros, e à queda da ponte que dá acesso a eles. A única forma de acesso é por via aérea - ainda assim com muitas dificuldades, pois a “pista de pouso” é de terra.

A Defesa Civil informou que dois técnicos, desde esta quinta, estão no município levantando informações sobre o que pode ser feito para minimizar os estragos. Eles devem retornar para a sede da Defesa Civil em Cuiabá na sexta-feira. Com base nas informações colhidas serão definidas quais medidas serão tomadas, afirmou o Gerente de Capacitação e Mobilização Comunitária do órgão, Leandro Oliveira.

Os outros municípios que decretaram situação de emergência são Aripuanã, Nova Maringá, Alto Boa Vista, Novo Mundo e Nova Xavantina.

Em Cáceres, cidade que faz fronteira com a Bolívia, levantamento feito pela própria Defesa Civil estimou que 80% dos bairros da cidade correm sério riscos de inundações e alagamentos. A prefeitura, no entanto, ainda não decretou situação de emergência.

No ano passado, após 12 horas de chuvas, 20 mil moradores ficaram desabrigados. A cidade é banhada pelo rio Paraguai, além de também fazer parte do Pantanal mato-grossense. Isso faz com que Cáceres, a cada ano, corra risco de alagemtno.

Até agora, nenhuma morte foi registrada nos dois Estados em razão das chuvas.

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