Chuva traz alívio para Capital e cidades do interior de SP

A chuva que caiu entre a noite de ontem e a tarde de hoje trouxe alívio a moradores e produtores rurais da região de Sorocaba, no interior de São Paulo. Em Itu, havia preocupação com o rápido esvaziamento dos reservatórios usados para abastecer a cidade de 150 mil habitantes, em razão do inverno quente e seco.

Redação com Agência Estado |

A expectativa é de que a chuva se prolongue para recompor principalmente o reservatório do Itaim, o mais afetado.

Em Sorocaba, choveu mais de 10 milímetros apenas durante a noite e o tempo continuava instável. A cidade sofria com a seca e as queimadas. A última chuva de 5 milímetros ocorrera no início de junho. Durante todo o mês de julho, Sorocaba recebeu 0,5 milímetro de chuva.

Também voltou a chover em Tatuí, onde a estação climatológica da Secretaria de Agricultura registrou 16 milímetros no início desta tarde. Em algumas áreas rurais, a precipitação foi maior. A chuva apagou um incêndio que ontem consumia a mata ciliar do ribeirão Guarapó.

Na zona rural de Bofete, moradores repetiram a tradição de banhar nas águas do rio Bonito imagens de Santo Antonio e de Santa Rita de Cássia. A cidade estava sem chuva havia 59 dias e o gado já morria de fome e sede. Na região de Itapeva, a chuva interrompeu uma estiagem de 45 dias que ameaçava a produção de trigo - a região é a maior produtora do Estado.

AE
Ar seco em São Paulo
São Paulo tem o julho mais seco da história

Na Capital também chove em pontos isolados, segundo informações do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). A nebulosidade aumentou na cidade de São Paulo por conta da frente fria posicionada entre os Estados do Paraná e Santa Catarina que avançou para a região sudeste do País.

A ausência até de garoa em vários pontos da cidade culminou no registro "zero" de chuva em julho, estiagem inédita em São Paulo desde 1943, quando as medições começaram.

Sem chuva para dispersar os gases tóxicos, a qualidade do ar paulistano foi afetada. Os dados da Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) mostram que 20 dos 31 dias do mês foram desfavoráveis à dispersão dos poluentes. O número atual supera em 57,8% as 11 notificações de julho do ano passado, quando o clima estava menos árido.

São duas as explicações para que prevaleça um clima desértico. "A primeira é o fenômeno ambiental", observa o técnico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Marcelo Schneider. "É comum as chuvas serem esporádicas, mas neste ano as frentes frias estão fracas e não conseguiram vencer o bloqueio da densa massa de ar seco."

Além do fator climático, também existe a contribuição arquitetônica, segundo a geógrafa Helena Ribeiro, do Departamento Ambiental da Faculdade de Saúde Pública. "O homem provocou a aridez urbana ao construir tantos prédios, pavimentar a vegetação e destruir os lagos, características que influenciam na questão do tempo seco."

Na quarta-feira, mais uma vez a baixa umidade relativa do ar castigou a capital paulista. Entre 14h e 16h, o índice ficou em 25%, marca inferior ao mínimo de 30% estipulado pela Organização Mundial de Saúde para não provocar danos. O tempo seco ainda abre espaço para crises respiratórias e alérgicas e problemas de pele.

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