Chuva recorde no Rio dificulta o ir e vir dos cariocas

Volta a chover forte em vários pontos da cidade. Permanecem grandes as dificuldades com o transporte público, principalmente na zona Oeste do Rio

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Os cariocas continuam sofrendo com as fortes chuvas que atingem a cidade desde a noite desta segunda-feira (5). Como várias empresas, repartições e lojas não abriram, os funcionários foram dispensados ainda pela manhã. Muitos enfrentam dificuldades para conseguir condução para voltar para casa. Nos bairros da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste da capital, o tempo de espera por ônibus chega a quase uma hora. A Avenida das Américas, uma das vias de maior movimento na cidade, está quase deserta.

Valmir Moratelli

Assim como a auxiliar Marta de Mello, muitos cariocas foram dispensados do trabalho

A gari Marcela Pereira ficou no ponto de ônibus por 45 minutos, à espera por uma condução que a levasse do Recreio para a Pavuna, na Baixada Fluminense. Não sei nem o que eu faço, deveria ter chegado no trabalho às 11 horas. Com essas chuvas, vou ter muito trabalho para fazer, disse. Já o mecânico Luiz Henrique nem se arriscou a sair do trabalho na noite anterior. Eram quase 14h desta terça-feira quando ele resolveu voltar para casa, em Cascadura, no subúrbio. Soube da situação de caos na cidade. Pedi para o patrão dormir no trabalho. Não iria ficar preso na rua tentando chegar em casa à toa, disse.

Situação pior passou o vendedor Reinaldo Oliveira. Ele pegou o ônibus da linha S-20, na Barra da Tijuca, para ir em direção ao bairro da Glória, na zona sul, às 19h de segunda-feira. Só chegou ao local de destino às 4h da manhã. Vi de tudo dentro do ônibus. Teve até uma mulher que estava apertada para ir ao banheiro e acabou fazendo xixi na parte de trás. Ficamos parados na Linha Amarela durante boa parte do tempo, foi o pior trânsito da minha vida, disse.

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Reinaldo Oliveira optou por passar a noite no trabalho

Dispensados

Giovani Carvalho foi dispensado do trabalho ao meio-dia. Chefe de estoque de uma concessionária de automóveis no Recreio dos Bandeirantes, ele contou que dos 300 funcionários da empresa, apenas cinco apareceram nesta terça-feira para trabalhar. Não teve como todos chegarem, fomos dispensados. O prejuízo vai ser imenso, afirma ele, que costuma sair do trabalho bem mais tade, por volta das 19 horas.

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Giovani Carvalho fala em prejuízos para o comércio do Rio de Janeiro

Outra que também voltou mais cedo para sua residência foi a garçonete Denise Rodrigues, que estava em um ponto de ônibus, na avenida das Américas, esperando condução há 30 minutos. Não sei mais o que fazer, não passa nada. Saí de casa às 5h30, cheguei na Barra 2 horas depois. E agora fui dispensada, porque não tem nem cliente no restaurante, conta ela. A auxiliar de limpeza Marta de Mello contou que levou 3 horas para fazer um percurso que, geralmente, faz em menos de meia hora. Nem van pirata está passando hoje. Se três pessoas foram trabalhar, foi muito. Só vim mesmo, porque estava com medo de ser demitida, disse.

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Garçonete foi embora por falta de cliente

Cinema como fuga

A corretora de imóveis Sonia Santos ainda resistia no ponto à espera de ônibus para o Centro, contrariando o alerta da Defesa Civil para que a população evite transitar pelas ruas da cidade. Preciso fechar uns compromissos, não é assim tão fácil. Vou tentar esperar um pouco mais, disse. Já a cabeleireira Bárbara Carvalho e a amiga, a professora Marilene Rangel, se deram folga nesta terça-feira. Chega de se aborrecer com este trânsito doido. Sofri por 4 horas ontem para chegar em casa, na Vila da Penha. Saímos do trabalho, no Recreio, e não imaginávamos que estava tudo tão complicado. Hoje vou ao cinema. Quer dizer, se estiver aberto, né?, disse.

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Para fugir da chuva, as amigas, liberadas do trabalho, foram para o cinema 

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