Chuva provoca "apagão" de estradas em Mato Grosso do Sul

Com queda de pontes e vias intransitáveis, trilhas que atravessam longos trechos de mata se tornam única alternativa de motoristas

Helson França, iG Mato Grosso |

As intensas chuvas que caíram nesse início de mês em Mato Grosso do Sul destruíram quatro pontes que dão acesso a quatro distritos onde vivem mais de 20 mil pessoas. A única maneira encontrada para se chegar a esses distritos é por meio de longos caminhos alternativos, que atravessam grandes trechos de mata no interior do Estado.

Desconhecidas da maioria da população, as pequenas estradas de terra, no entanto, não resolvem o problema totalmente. Em algumas ocasiões, devido às más condições dos trajetos, as viagens não são concluídas.

Um dos distritos onde o acesso é mais complicado é Paranatinga, localizado em Aquidauana (135 quilômetros da capital, Campo Grande). Cerca de 9 mil pessoas moram no distrito. Para se chegar até lá, vindo de Campo Grande, é preciso enfrentar uma estrada estreita com uma extensão de 233 quilômetros, onde mal passam dois carros vindo em sentidos opostos. Caminhões não passam. A média do tempo de viagem é de 5 horas.

No entanto, pela precariedade da estrada, as viagens - para a entrega de alimentos e produtos de higiene, por exemplo - deixam de ser completadas, como ocorreu em três oportunidades no último final de semana.

“As chuvas danificaram muito essas estradas, que já não eram boas. Está muito difícil completar o percurso”, informou o coordenador estadual da Defesa Civil de Mato Grosso do Sul, Ociel Ortiz Elias. O coordenador, no entanto, ressaltou que a comunidade não corre risco de falta de suprimentos, mas que há uma orientação para o que o consumo seja racionado.

Em Aquidauana, na semana passada, o rio que leva o nome do município e que fica próximo a Paranatinga chegou a ficar dez metros acima do nível normal. Na ocasião, ele transbordou e invadiu a estrada que dá acesso à cidade, além de alagar parte do distrito

Assim como nos municípios de Buritis, Dois Irmãos e Santa Rita do Pardo, em Aquidauana a circulação interna está bastante comprometida. Milhares de alunos da rede pública de ensino estão sem aulas, por conta da falta de transporte.

A piora nas condições das estradas também prejudicou a distribuição de cestas básicas aos indígenas. De acordo com o Conselho Missionário Indigenista (Cimi), cerca de 13 mil famílias de índios na região de Dourados (220 quilômetros de Campo Grande) estão sem receber as cestas básicas.

As fortes chuvas nesse começo de mês em Mato Grosso do Sul fizeram o governador do Estado, André Puccinelli (PMDB), decretar situação de emergência na quinta-feira da semana passada (10). Os prejuízos na infra-estrutura do Estado são de aproximadamente R$ 110 milhões, afirmou Ociel. Pelos cálculos da Defesa Civil o número de pessoas desabrigadas, que atualmente está em torno de 67 mil, deve aumentar nos próximos dias. Até o momento, não foi registrada nenhuma morte em decorrência das chuvas.

Ociel informou que até o final da semana a Defesa Civil deve concluir o levantamento de danos junto às prefeituras das cidades afetadas pelas chuvas, e encaminhar o relatório para o Ministério da Integração Nacional. O objetivo é pleitear recursos do governo federal, para aplicá-los em obras de reconstrução das cidades. O Ministério da Integração Nacional liberou até o momento R$ 5 milhões para o Estado sul mato-grossense, para ser utilizada no atendimento inicial às vítimas das chuvas.

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